Com aposta em IA, Google vai investir US$ 185 bi este ano, o dobro do aporte feito em 2025
A Alphabet, empresa controladora do Google, está reforçando sua aposta em inteligência artificial (IA) e informou que vai investir até US$ 185 bilhões em 2026, montante que é mais do que o dobro dos aportes feitos em 2025.
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Os números foram apresentados pela empresa nesta quarta-feira, quando foi divulgado o balanço financeiro da companhia. O valor dos investimentos supera em muito a estimativa do mercado — analistas previam um anúncio de US$ 120 bilhões.
O montante está amparado no forte crescimento dos negócios de publicidade e de computação em nuvem da empresa, que aumentaram seu fôlego financeiro para viabilizar a aposta em inteligência artificial.
Os gastos previstos para 2026 somarão mais do que o que o gigante das buscas na internet investiu nos três anos anteriores combinados. Ainda assim, o diretor-executivo Sundar Pichai tranquilizou os investidores ao afirmar que os custos terão retorno.
"Estamos vendo nossos investimentos em IA e em infraestrutura impulsionarem a receita e o crescimento em todas as áreas”, disse Pichai em comunicado na quarta-feira. “A busca registrou mais uso do que nunca, com a IA continuando a impulsionar um momento de expansão.”
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A receita do Google Cloud no período recente saltou 48%, para US$ 17,7 bilhões, superando os US$ 16,2 bilhões esperados por analistas, e o Gemini, seu modelo de inteligência artificial, está rapidamente conquistando novos usuários, afirmou a Alphabet.
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O Google correu para reinventar seu negócio para a era da inteligência artificial, trabalhando para manter os consumidores no hábito de acessar sua página de buscas mesmo quando também podem recorrer a chatbots de rivais como a OpenAI.
A empresa aprimorou rapidamente seu modelo Gemini e o integrou a seus produtos — um esforço que exigiu investimentos maciços em data centers e chips, tanto para a melhoria dos modelos quanto para atender clientes de nuvem.
A companhia afirmou que seus enormes investimentos em IA — financiando nova infraestrutura, pesquisa e talentos — são essenciais para competir com rivais como Amazon, Microsoft e OpenAI.
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Cerca de 40% dos investimentos em infraestrutura técnica da empresa foram destinados a data centers e equipamentos de rede, enquanto 60% foram direcionados a servidores, afirmou Anat Ashkenazi, diretora financeira do Google, em teleconferência para discutir os resultados.
Pichai reconheceu que a empresa terá de planejar levando em conta limitações sobre o que será possível, incluindo restrições de energia e de cadeias de suprimentos.
Negócios de nuvem e publicidade em buscas
Para justificar seus elevados gastos, a Alphabet continuou a demonstrar fôlego em seus negócios de nuvem e de publicidade em buscas. A empresa vem incorporando o Gemini 3, seu modelo mais recente, em todos os seus produtos, inclusive no navegador Chrome.
O aplicativo Gemini também registrou 750 milhões de usuários ativos até dezembro, ante 650 milhões no período de três meses encerrado em setembro. A carteira de pedidos do negócio de nuvem — ou seja, a receita contratada, mas ainda não reconhecida — mais que dobrou em relação ao ano anterior, alcançando US$ 240 bilhões, disse Pichai na teleconferência.
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“O aumento da carteira de pedidos foi impulsionado pela forte demanda por nossos produtos de nuvem, liderada por nossas ofertas corporativas de IA de múltiplos clientes”, acrescentou Pichai.
O Gemini Enterprise tem mais de 8 milhões de usuários pagantes, após ter sido lançado há quatro meses.
O setor também tem se apoiado nos avanços do Google. A Alphabet está fornecendo até 1 milhão de seus chips especializados em IA para a Anthropic, consolidando a posição do Google como um importante provedor de infraestrutura no espaço de IA.
O Gemini também será fornecedor de IA para a Siri nos iPhones da Apple. Ashkenazi, da Alphabet, afirmou ainda que agentes de IA já estão escrevendo cerca de 50% do próprio código do Google.
O YouTube, plataforma de streaming de vídeo do Google, também mostrou fôlego, com o Shorts — formato que compete com o Instagram Reels e o TikTok — registrando uma média de 200 bilhões de visualizações diárias, segundo a empresa. A receita com anúncios e assinaturas do YouTube superou US$ 60 bilhões em 2025.
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