Com alta dos custos de crédito e da inadimplência, Banco do Brasil reduz projeção de lucro para o ano

 

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O Banco do Brasil (BB) reduziu sua projeção para os lucros do ano após os custos de crédito aumentarem no primeiro trimestre, impulsionados tanto por consumidores individuais quanto por empresas do agronegócio.

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A instituição financeira estatal agora espera registrar lucro líquido ajustado na faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões no ano inteiro, informou o Banco do Brasil em comunicado nesta quarta-feira. Isso representa queda em relação à projeção anterior, de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

Em balanço divulgado hoje, o BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, queda de 54% em relação ao ano anterior, mas em linha com a média das estimativas dos analistas, compiladas pela agência Bloomberg.

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O mercado reduziu suas estimativas para o banco nas últimas semanas diante de sinais de que os custos de crédito poderiam permanecer elevados.

O banco também espera que os custos de crédito sejam maiores do que havia informado anteriormente em sua projeção, com essas despesas ficando entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões no ano inteiro. Esses custos atingiram R$ 18,9 bilhões no primeiro trimestre, alta anual de 86% impulsionada pela carteira de empréstimos para empresas do agronegócio e consumidores.

O Banco do Brasil vem enfrentando aumento da inadimplência em sua carteira do agronegócio desde o fim de 2024, à medida que agricultores lidam com elevados níveis de endividamento e juros altos.

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Alguns agricultores chegaram até mesmo a buscar proteção judicial contra credores, levando os bancos a reservar recursos equivalentes ao valor integral desses empréstimos.

A inadimplência em empréstimos ao setor agrícola está próxima das máximas históricas no Brasil, segundo o Banco Central. Por outro lado, os agricultores podem ser clientes importantes para os bancos devido às suas necessidades empresariais e pessoais. O BB é um dos principais financiadores do setor.

O banco controlado pelo governo e tem ações negociadas em Bolsa solicitou um limite maior de capital, aprovado em abril, para potencialmente ajudá-lo a enfrentar pressões sobre o balanço.

A presidente do BB, Tarciana Medeiros, afirmou em um evento com investidores no fim de abril que o primeiro semestre deste ano provavelmente será difícil em relação à inadimplência, mas acrescentou que o banco espera retomar o crescimento daqui para frente à medida que se beneficie de mudanças em seus modelos.

O BB já está buscando garantias mais fortes para novos empréstimos e revisando seus processos de cobrança, afirmou ela em comunicado nesta quarta-feira.

— Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de ações judiciais em comparação com todo o ano anterior — acrescentou a executiva. — Isso reflete nosso foco em recuperar nossos ativos.