Com alta do petróleo, governo eleva estimativa de inflação para 4,5% em 2026

 

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O governo aumentou a estimativa para a inflação oficial de 3,7% para 4,5% em 2026. A informação é do Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

A escalada do conflito no Oriente Médio, com impacto direto sobre o preço do petróleo, levou a equipe econômica a revisar para cima as projeções de inflação no Brasil e no mundo. O documento aponta que o choque externo reverteu a trajetória de desaceleração dos preços e passou a pressionar combustíveis, transportes e toda a cadeia produtiva. O barril do petróleo opera nesta segunda acima de US$ 110.

O principal fator por trás da alta é a elevação do preço do petróleo no mercado internacional. A cotação média estimada para 2026 aumentou cerca de 25%, o que encarece combustíveis e eleva custos logísticos e industriais. Esse movimento tem efeito em cascata sobre os preços, atingindo desde bens industrializados até alimentos.

O documento também alerta que a inflação deve se tornar mais persistente ao longo do ano. Os alimentos, que antes ajudavam a segurar os preços, agora tendem a pressionar, influenciados por fatores como o ciclo do gado e possíveis efeitos climáticos, como o El Niño.

Apesar das pressões, parte do impacto inflacionário deve ser contida por fatores internos. A valorização do real, a manutenção de juros elevados e medidas adotadas pelo governo — como subsídios e desonerações sobre combustíveis — atuam para reduzir o repasse ao consumidor. Ainda assim, o cenário é de inflação mais alta no curto prazo.

Mesmo com a inflação mais alta, o Ministério da Fazenda mantém a projeção de crescimento de 2,3% do PIB em 2026, com apoio dos setores de serviços e indústria.

Na área fiscal, o governo também aponta melhora nas expectativas do mercado, impulsionada pelo aumento da arrecadação com a alta do petróleo.