Com Alckmin vice, Lula afunila palanque em SP e deve ter Tebet e Marina ao Senado na chapa de Haddad

 

Fonte:


A confirmação de que Geraldo Alckmin permanecerá como o seu companheiro de chapa, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião ministerial desta terça-feira, ajuda a afunilar a definição dos nomes que vão compor o palanque do petista na eleição de São Paulo.

Sem Alckmin em São Paulo, a tendência é que Lula conte com Fernando Haddad (PT) como candidato a governador e as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) na disputa pelo Senado. Resta a definição do candidato a vice-governador. O posto pode ficar com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França.

Alckmin, que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), chegou a ter sua permanência como vice ameaçada. O PT discutiu usar o posto como trunfo para atrair o MDB.

Além disso, a avaliação de Lula era que Alckmin poderia ser mais útil como candidato ao Senado em São Paulo para fortalecer o seu palanque. O plano, no entanto, esbarrou na resistência do ex-tucano em disputar eleições em São Paulo e na negativa da maior parte do MDB a uma aliança como o PT.

Integrantes da ala governista do MDB chegaram a sinalizar desde dezembro de 2025, nos bastidores, o interesse de que a sigla ocupasse a vice. Entre os possíveis nomes, estavam os ministros Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), além do governador do Pará, Helder Barbalho.

O próprio Lula chegou a dar declarações que colocavam dúvida sobre a permanência de Alckmin no cargo.

— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem — afirmou Lula em entrevista ao portal UOL em fevereiro.

Nas últimas semanas, porém, o cenário se consolidou. Lula convenceu o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ser candidato ao governo de São Paulo. Do mesmo modo, a pedido de Lula, Tebet deixou o MDB e se filiou ao PSB de Alckmin para disputar uma vaga pelo senado em São Paulo, trocando seu domicílio eleitoral. A ministra já foi senadora pelo Mato Grosso do Sul.

A segunda vaga da chapa de Lula ao Senado em São Paulo ainda é uma aresta a ser aparada. Uma ala do PT defende a candidatura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), mas a vaga é pleiteada também pelo ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).

O imbróglio se dá porque, embora o PSB cobice as duas vagas da chapa ao Senado, o PT precisaria contemplar outros prováveis aliados, como PSOL e Rede, PV e PC do B.

Em meio à indefinição, um plano B para França seria sua permanência no governo, mas na pasta hoje ocupada por Alckmin. Aliados do ministro, no entanto, dizem que, uma vez que França já abriu mão de disputar o governo de São Paulo para apoiar Haddad e seu partido acolheu Tebet, seria natural que a outra vaga na chapa ao Senado fosse ocupada por ele.