Com acordo nuclear entre EUA e Rússia próximo de expirar, aliado de Putin diz que 'estamos todos em perigo'

 

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O acordo nuclear de evitar ataques e uma proliferação nuclear entre Estados Unidos e a Rússia expira nesta semana, sem uma luz para um acordo em breve. O último dia é nesta quarta-feira (4). Ou seja, a partir de quinta (5), o mundo viveria sem esse trato entre as duas nações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.

Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.

Medvedev era presidente do país e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.

'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados ​​em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notícias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.

Trump sempre foi muito crítico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os países. Isso vem especialmente por sua recorrente crítica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.

O republicano afirma que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.

Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times , quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.

Relógio do Juízo Final fica a 85 segundos para meia-noite, menor tempo da história

Relógio do juízo final atualizado em 2026.

Reprodução

O Relógio do Juízo Final, conhecido como 'Doomsday Clock', atualizou nesta terça-feira (27) para o ano de 2026 faltando 85 segundos para meia-noite. Ele mede o quanto próximo o mundo está de uma guerra que envolva armas nucleares e a tensão mundial.

A decisão foi tomada pelos cientistas Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George, John B. Wolfstal, Alexandra Bell e Maria Ressa.

Parte da piora está relacionada às tensões envolvendo os Estados Unidos, comandado por Donald Trump. O país se envolveu em confrontos, como entre Irã e Israel, além de ameaças de controle da Groenlândia.

Além disso, o uso cada vez maior da IA para desinformação, além da falta de acordo sobre armas de nucleares, como dos EUA e da Rússia, estão entre os fatores que contribuíram.

Em 2025, ficou em 89 segundos para meia-noite, o mais próximo do limite. Ele é atualizado todos os anos há quase 80 anos.

A ideia da sua criação, em 1947, pelo Bulletin of Atomic Scientists, sempre foi de levantar debates sobre temas da ciência, além de trazer discussões sobre a necessidade da busca pela paz. Por isso, não mede, necessariamente, ameaças diretas, mas envolve todas elas para o cálculo.

A sua projeção foi realizada por cientistas que estiveram no Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica no período da Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente, a medição se focava em possíveis confrontos envolvendo artefatos nucleares. Porém, a partir de 2007, a conta ficou mais abrangente, colocando, por exemplo, as mudanças climáticas como parte do estudo.

A sua definição ocorre todos os anos por um grupo de cientistas do Conselho de Ciência e Segurança do Bulletin. Entre os que fazem parte dessa equipe estão mais de 10 ganhadores do Nobel em diferentes áreas.

Presidente e CEO do Bulletin, Rachel Bronson, explica que, caso o relógio chegue em meia-noite 'significa que ocorreu algum tipo de troca nuclear ou mudança climática catastrófica que acabou com a humanidade'.

'Portanto, não queremos chegar lá e não saberemos quando chegaremos'.