'Com a palavra': ala pró-Moraes concentra metade do tempo de julgamento no STF; veja quem falou mais

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

No foco do julgamento desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes, ao lado de Flávio Dino e Gilmar Mendes, foram respósáveis por quase metade do tempo de fala nas mais de cinco horas de sessão. Levantamento feito pelo GLOBO aponta que apenas Moraes, alvo do relatório da Polícia Federal sobre sua relação com Daniel Vorcaro, falou 71% a mais do que André Mendonça durante a sessão. Os dois magistrados têm protagonizado a principal disputa na Corte em relação ao caso. Os dados apontam que, juntos, Dino, Gilmar e Moraes falaram, somados, durante 2 horas, 31 minutos e 41 segundos, o que corresponde a 48,9% das 5 horas e 10 minutos de manifestações atribuídas aos ministros. Tempo de fala de cada ministro: Edson Fachin - 1h21m09s Flávio Dino - 1h09m32s Gilmar Mendes - 46m53s Alexandre de Moraes - 35m16s Cármen Lúcia - 20m46s André Mendonça - 20m40s Luiz Fux - 12m36s Cristiano Zanin - 10m30s Dias Toffoli - 8m03s Kassio Nunes Marques - 4m31s O tempo somado do trio foi 7,3 vezes maior que o de Mendonça, que falou por 20 minutos e 40 segundos ao todo. Embora a comparação some o tempo de três ministros contra o de apenas um, todos eles, individualmente, falaram mais do que Mendonça. Moraes falou por 35 minutos, Gilmar por 46 minutos e Dino falou por 1 hora e 9 minutos. Este último, no cômputo geral, apenas falou menos do que o presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin, que foi o responsável por conduzir a sessão. Fachin, entretanto, passou boa parte do seu tempo de fala apenas na leitura do relatório, no início da sessão, o que tomou quase 40 minutos. Para realizar a análise, o GLOBO utilizou ferramentas de IA para a transcrição e análise dos dados por meio de processamento de linguagem natural. A atribuição dos trechos de fala dos ministros foram supervisionados e revisados pela reportagem. A concentração do tempo de fala de Dino, Gilmar e Moraes coincidiu também com uma atuação sobre os rumos do julgamento. A sessão havia sido convocada para discutir os efeitos de um relatório da Polícia Federal que citou Moraes no contexto das investigações sobre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Logo no início da sessão, Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem com base em um ofício do ministro Flávio Dino que questionava o fato do ministro Edson Fachin ter assumido a relatoria dos casos em julgamento.

Dino e Moraes apoiaram a mudança de rito e foram acompanhados por Cristiano Zanin, que também defendeu a reunião dos processos, embora tenha falado por apenas 10 minutos e 30 segundos durante toda a sessão. Do outro lado, Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a análise separada dos casos. Enquanto os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes questionavam o rito do processo e a condução das investigações, Moraes concentrou boa parte da sua fala em questionar o que chamou de seletividade na atuação de Mendonça. Mendonça, por outro lado, gastou boa parte de sua fala se defendendo de acusações feitas por Gilmar e também por Moraes, como na sua atuação em relação às colaborações premiadas. O julgamento foi interrompido após uma discussão entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça em relação a citação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O embate entre os ministros levou Dino a pedir vista, o que interrompeu o julgamento provisoriamente.

'Polícia' e 'PGR' Entre os termos mais falados pelo ministro, “polícia" apareceu 87 vezes, o mais repetido no julgamento. As referências à Procuradoria-Geral da República, como a sigla PGR, somaram 86 ocorrências. Entre as expressões mais repetidas, também aparecem questões muito mais relacionadas à discussão sobre a forma do que sobre o conteúdo do julgamento previsto. "Ministério Público", "Juiz Natural" e "Regimento Interno" foram as expressões mais repetidas. Emcomparação, "Banco Master" foi dito apenas 11 vezes na contagem feita pelo GLOBO e Daniel Vorcaro, outras 10.

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