Com a maior bancada na Alerj a partir de 2027, PL trabalha para manter o comando da Casa; entenda

Com a maior bancada na Alerj a partir de 2027, PL trabalha para manter o comando da Casa; entenda - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Faltam quase quatro meses para a posse dos deputados estaduais eleitos, mas a corrida pela cadeira mais cobiçada da Assembleia Legislativa do Rio já começou nos bastidores da política fluminense. Com a maior bancada eleita, o PL trabalha para manter a presidência do Legislativo e articula uma candidatura de continuidade em torno de Guilherme Delaroli (PL), atual vice-presidente da Mesa Diretora. Também já estão em jogo vagas nas comissões da Casa e até na cúpula do novo governo — um dos cargos mais disputados é a Secretaria estadual de Governo (Segov). Entenda: Operação mira esquema que adulterava taxímetros para cobrar mais de passageiros no Galeão; bando é ligado ao tráfico R$ 250 milhões em movimentações: PM e ex-PMs acusados de vender armas e vazar informações para o chefe do TCP no Complexo de Israel são presos Nos bastidores, interlocutores do PL afirmam que Delaroli é o nome de consenso para presidir a Casa. A indicação faria parte de um acordo costurado antes das eleições entre o presidente nacional da legenda, Altineu Côrtes, e o deputado Douglas Ruas — que hoje comanda a Alerj e teve a vitória ao governo do Rio confirmada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral. A ideia seria assegurar a continuidade do grupo político que conduziu o Parlamento nos últimos anos. Pacificador A escolha também é tratada por aliados como uma forma de reconhecimento ao papel desempenhado por Delaroli durante a crise provocada pela prisão do então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União), em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de ligação com o Comando Vermelho. — Peguei a Casa em crise e pacifiquei. Se for a escolha do grupo, serei presidente de todos, independentemente de partido — disse Delaroli. O objetivo do PL é repetir o feito de Bacellar, reeleito pelos 70 deputados em 2025. A unanimidade foi fruto de uma articulação do deputado Dr. Luizinho (PP) para equilibrar as forças entre PL, PP e União Brasil na base do então governador Cláudio Castro. Mas tudo desandou com a prisão de Bacellar, além de o cenário atual ser diferente. PP e PL não correram juntos nessa campanha eleitoral — houve um rompimento quando Dr. Luizinho se aproximou do candidato Eduardo Paes (PSD) e retirou o vice de Douglas Ruas, que seria do PP. Ainda assim, a bancada do PP terá peso nas negociações. O partido elegeu cinco nomes de influência: Felipinho Ravis, Carlinhos BNH, Felipe Pampolha, Delegado Bernardo Leal e Gustavo Tutuca, que foi secretário de Turismo no governo Castro. Outra corrente política representada na Casa também acena com uma candidatura à presidência, em uma tentativa de não deixar a Alerj nas mãos dos mesmos deputados — Delaroli faz parte do grupo de Bacellar e de Cláudio Castro. A deputada Dani Balbi (PCdoB), quarta mais votada para a Alerj, com 169.474 votos, afirma que partidos de oposição terão que se unir para conseguir alguma mudança. — Vamos nos organizar para tentar construir um bloco e apresentar uma candidatura. Vamos precisar fazer uma oposição política, inclusive na escolha da presidência, já que a liderança anterior teve uma atuação autoritária e de descrédito, trazendo um desgaste muito grande até para a oposição — afirma. Esquerda sem muita força Um político que volta ao Legislativo é André Ceciliano (PT), que foi presidente da Assembleia entre 2019 e 2023. Agora reeleito, ele diz que uma candidatura alternativa dependerá da capacidade de articulação entre os partidos. — Já fui procurado por alguns parlamentares para tratar da presidência. Mas, para ser candidato, é preciso ter um mínimo de consenso na Casa. Se houver uma união entre a oposição, dá para disputar a eleição — afirma. Flávio Serafini (PSOL) diz que a discussão sobre a presidência deve acontecer a partir de dezembro, mas adiantou que o partido atuará por uma união da esquerda na Casa: — A oposição saiu fortalecida, e a tendência é que a bancada do PSOL busque a unidade ao redor de um nome. Apesar do favoritismo de Delaroli em seu partido, o deputado reeleito Jair Bittencourt (PL) é citado como um nome que corre por fora. Seu trânsito entre diferentes correntes e a experiência no Executivo — onde comandou a Secretaria de Governo na gestão de Castro, além das pastas de Agricultura e Desenvolvimento Regional — contam a seu favor. Mas tudo indica que um cargo no Executivo vai tirá-lo dessa corrida. Outro que regressa à Alerj é Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, que na eleição para a presidência da Casa anterior chegou a disputar com Bacellar, mas retirou a candidatura. Ele adota um tom cauteloso: — Guilherme Delaroli é meu amigo, mas também tenho outros amigos na Casa. Vou ouvir o Douglas Ruas, que é meu amigo, para essa questão — disse Canella. A Secretaria de Governo aparece na maioria das negociações hoje entre os deputados. Além de Jair Bittencourt, estão cotados Bruno Bonetti, presidente do diretório municipal do PL na capital fluminense, e Fábio Silva, chefe de gabinete de Douglas Ruas e homem de sua confiança. Já a liderança do governo na Alerj tem dois nomes fortes na mesa: Gustavo Tutuca (PP) e Nelsinho Ruas (PL), irmão de Douglas Ruas.

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