Com 41 aportes, governo do Rio fez duas aplicações por mês no Master entre primeiro e último investimento

Com 41 aportes, governo do Rio fez duas aplicações por mês no Master entre primeiro e último investimento

 

Fonte: Bandeira



Ao esmiuçar os investimentos do Rioprevidência no Banco Master durante o período em que o ex-governador Cláudio Castro (PL) e Daniel Vorcaro mantiveram “relação pessoal”, a Polícia Federal elencou 41 aportes que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. Entre a primeira e a última aplicação, a média é de quase duas transações por mês, o que evidencia uma prática recorrente.

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Há uma divisão entre os fundos que receberam o dinheiro. De novembro de 2023 a julho de 2024, R$ 970 milhões foram para o próprio Master logo de cara. Depois, com os problemas enfrentados pelo banco de Vorcaro, os investimentos passaram a transitar por fundos criados com esse objetivo.

Um deles, o Arena Fundo de Investimento em Renda Fixa, somou R$ 1,37 bilhão; o Revolution Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo Crédito Privado, R$ 481,48 milhões; o Texas I Fundo de Investimento em Ações, R$ 150 milhões; e o Institucional Horizonte I Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo, R$ 10 milhões.

“Ainda neste contexto da aproximação, foram identificadas conversas no celular de Daniel Vorcaro que indicam que a viabilização de determinados aportes estaria condicionada a alinhamentos políticos com o governador Cláudio Bomfim de Castro e Silva", afirma a PF.

O último aporte foi em agosto de 2025. A relação entre o instituto previdenciário do estado e o banco, portanto, durou 667 dias, cerca de 22 meses, já que o primeiro investimento se deu no dia 1º de novembro de 2023.

A Polícia Federal mapeou ao menos oito encontros entre o então governador e o banqueiro. Um deles aconteceu na casa de Vorcaro, em São Paulo, entre a primeira e a segunda aplicação do instituto. Houve ainda reuniões nos palácios Laranjeiras e Guanabara, no Rio, e em Nova York, com direito a uma degustação de uísque que custou mais de R$ 5 milhões.

A defesa do ex-governador nega a existência de "relação pessoal indevida" com Vorcaro. Já o Master sustenta que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.