Com 170 obras, mostra 'Vetores-vertentes' destaca a produção de 11 fotógrafas paraenses no CCBB do Rio
Após passar pelas sedes do CCBB de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, será inaugurada nesta quarta-feira (11) para o público a exposição "Vetores-vertentes: Fotógrafas do Pará", que reúne a produção de 11 profissionais nascidas no estado, da década de 1970 aos dias atuais.
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Em 170 obras que vão além da fotografia tradicional, incluindo vídeos, instalações, fotocolagens, fotonovelas e e experiências imersivas, a coletiva foi idealizada pelo Museu das Mulheres, projeto sediado em Brasília, com curadoria de sua diretora, a professora e historiadora da arte Sissa Aneleh.
A proposta da exposição veio do projeto de doutorado em Artes Visuais defendido pela curadora em 2018, na UNB (Universidade Federal de Brasília), trazendo um recorte de um grupo mais amplo que produz na região há cerca de cinco décadas.
— Há uns 50 anos, os artistas fomentaram o cena em Belém do Pará, muita gente se destacou na fotografia, nas artes visuais, instituições e galerias surgiram, e a cidade virou um polo cultural do Norte. Na época, muitas dessas pioneiras não tiveram o mesmo reconhecimento dos artistas homens, mas foram uma referência para as gerações de profissionais mulheres que vieram depois — aponta Sissa. — Elas desenvolvaram um olhar sobre esse universo feminino amazônico, abordando identidades, território, memória.
A curadora Sissa Aneleh durante montagem no CCBB do Rio
Ana Branco
Em todo o segundo andar e parte do térreo, a coletiva reúne trabalhos de nomes como Deia Lima, Evna Moura, Bárbara Freire, Cláudia Leão, Walda Marques, Jacy Santos,Nailana Thiely, Nay Jinknss e Paula Sampaio.
'Cacique Raoni Metuktire' (1984)
Leila Jinkings
Uma das pioneiras dos anos 1970, Leila Jinkings começou a fotografar no movimento estudantil e depois registrou tensões em áreas de garimpo e comunidades indígenas.
— Tudo o que eu queria era viajar e mostrar o que estava acontecendo. Estive em Tucuruí, durante os protestos pela construção da barragem, cobri as eleições de 1982 numa época de muita vioência, tínhamos medo real de morrer. Só não consegui entrar em Serra Pelada porque fui proibida — lembra Leila.
Obra da série 'Ykamiabas'
Renata Aguiar
Uma das representantes das novas gerações, Renata Aguiar apresenta no CCBB obras que atravessam sua pesquisa por temas como corpo-território, ritualidade e autobiografia, em trabalhos como as fotoperformances da série "Ykamiabas".
— Fiz um trabalho de arte-educação no Centro de Reeducação Feminino em Ananindeua, na época o único presídio de mulheres do Pará. Trabalhava a partir da perspectiva de auto-representação no retrato, já me incomodava a ideia da fotografia como esse aparelho de captura colonial da imagem do outro — comenta Renata. — Continuei na fotografia documental, trabalhando com indígenas pela Funai, viajei para Índia com uma ONG. Mas em 2013, no mestrado, comecei entrar em contato com a ideia do autorretrato e da autorrepresentação. Foi a semente para se tornaro que faço hoje em performance para fotografia.
