Colombiano é morto a tiros por agentes de imigração nos EUA

Colombiano é morto a tiros por agentes de imigração nos EUA

Fonte: Bandeira



Uma pessoa morreu a tiros nesta segunda-feira durante uma ação envolvendo agentes de imigração dos Estados Unidos no Estado do Maine, informou um dos principais líderes do Legislativo estadual, poucos dias depois de outro homem ter sido morto por um agente federal durante uma abordagem de trânsito no Texas.

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"Na manhã de hoje ocorreu um incidente com tiros em Biddeford.

Uma pessoa foi morta.

O ICE esteve envolvido", escreveu no Facebook Ryan Fecteau, deputado democrata e presidente da Câmara dos Representantes do Maine, natural de Biddeford.

As circunstâncias do caso permanecem pouco claras.

Autoridades do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) e do Departamento de Segurança Interna não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

O FBI informou que foi acionado para auxiliar na ocorrência, mas não divulgou detalhes adicionais.

A polícia de Biddeford também não comentou o caso e encaminhou os questionamentos ao ICE.

Organizações de defesa dos imigrantes afirmaram que a vítima era um colombiano de 26 anos, autorizado a trabalhar nos Estados Unidos e portador de número da Previdência Social americana.

Os grupos não divulgaram seu nome nem explicaram como chegaram à identificação.

"Isso é devastador, revoltante e inaceitável", afirmaram a Coalizão pelos Direitos dos Imigrantes do Maine e a organização Presente! Maine em comunicado.

"Seus familiares merecem respostas, e a sociedade merece um relato completo e transparente do que aconteceu."

O senador Angus King, independente pelo Maine que atua em conjunto com os democratas, disse a jornalistas ter conversado com o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e afirmou que a vítima era um homem na faixa dos 20 anos.

Segundo King, os agentes aparentemente não usavam câmeras corporais.

"O que eu disse ao secretário foi que queremos uma investigação completa, transparente e aberta sobre esse caso", afirmou.

Uma testemunha, Daniel Boucher, de 71 anos, cuidador e desenhista técnico em meio período que mora no centro de Biddeford, disse à Reuters que estava no segundo andar de seu apartamento quando ouviu, por volta das 7h30, sons semelhantes a fogos de artifício.

Ao olhar pela janela, afirmou ter visto um SUV branco colidir repetidamente contra um carro branco menor, fazendo-o mudar de direção.

Em seguida, um agente do ICE saiu do SUV, tentou abrir a porta do outro veículo e retirou o motorista.

Segundo Boucher, o homem, que parecia ser jovem, tinha sangue no rosto e na cabeça e foi colocado no chão pelo agente.

"A primeira coisa de que me lembro é de ouvir a vítima dizer: 'Mas eu tentei parar'", contou.

O agente que aparentemente efetuou os disparos parecia "muito abalado, quase em estado de choque", segundo Boucher, e afirmou que a vítima havia tentado atropelá-lo ou atingi-lo com o carro.

Pouco depois, disse a testemunha, o homem ferido aparentava ter parado de respirar.

"Vou ser muito sincero: não sou favorável ao ICE de forma alguma", afirmou Boucher.

"Sou democrata.

Mas, independentemente disso, estou relatando exatamente o que vi hoje."

Também começaram a circular vídeos do episódio.

Um deles, publicado nas redes sociais e verificado pela Reuters, mostra um carro branco fazendo movimentos circulares aparentemente sem direção definida, enquanto dois homens usando coletes tentam interceptá-lo a pé.

Fotografias feitas no local mostram o veículo com aparentes marcas de tiros no para-brisa, parado contra a lateral de um grande SUV branco com as luzes de emergência ligadas.

Uma faixa do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Nova York, 10 de junho de 2025

AP/Yuki Iwamura


Protestos

O caso desencadeou protestos em Biddeford, cidade de pouco mais de 21 mil habitantes localizada cerca de 24 quilômetros ao sul de Portland.

Cerca de 200 manifestantes se reuniram em um parque com cartazes e palavras de ordem antes de marcharem até o escritório da senadora republicana Susan Collins, que disputará a reeleição neste ano.

Dez manifestantes entraram no saguão do prédio gritando "ICE, fora!" e "Tirem ela do cargo!", além de insultos.

Um representante do gabinete de Collins conversou com parte do grupo.

Não houve prisões nem episódios de violência.

Há seis dias, um agente do ICE matou Lorenzo Salgado Araujo durante uma abordagem de trânsito em Houston, provocando protestos na região leste da cidade, de forte presença hispânica.

Na ocasião, o ICE afirmou que Salgado, cidadão mexicano que vivia ilegalmente nos Estados Unidos havia mais de três décadas, colidiu deliberadamente sua van contra um veículo policial e tentou atropelar um agente, que reagiu em legítima defesa.

A agência não apresentou provas que sustentem essa versão.

Em outros episódios ao longo do último ano, relatos iniciais das autoridades de imigração sobre o uso da força foram posteriormente contraditos por vídeos ou outras evidências, inclusive em processos judiciais.

Três homens que testemunharam o episódio contestaram a versão do ICE, informou na sexta-feira o advogado de dois deles.

Segundo familiares, Salgado, pai de três filhos, trabalhava na construção civil e estava em processo de obtenção de uma autorização de trabalho.

Pessoas participam de um protesto após um tiroteio envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos ( ICE ) em Biddeford, Maine, EUA, em 13 de julho de 2026

REUTERS/CJ Gunther

Os dois casos ocorrem em meio ao aumento das prisões de imigrantes em todo o país, como parte da ofensiva do presidente Donald Trump contra a imigração ilegal, política que vem sendo criticada por líderes democratas e tem provocado protestos em diversas cidades.

A deputada democrata Chellie Pingree, que representa Biddeford na Câmara dos Representantes, afirmou em vídeo publicado no Facebook que ficou "profundamente perturbada e indignada"