O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cumprimentos de diversos líderes internacionais após sua vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), por 51,79% dos votos ante 48,21% do seu adversário. Até a manhã desta segunda-feira (26), chefes de Estado e de governo da América Latina, Ásia e Europa já haviam se manifestado sobre o resultado.
Dois importantes representantes de nações que são parceiras históricas do Brasil, porém, permaneciam em silêncio: os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. Leia também:
Em virada histórica, Lula se reelege e quebra onda mundial de avanço da direita Líderes mundiais parabenizam Lula; Trump Jr.
critica Diplomacia terá de lidar com direita na AL e humor de Trump
Próximo da família Bolsonaro, Milei declarou apoio a Flávio durante a campanha e vinha publicando mensagens favoráveis ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Trump, por sua vez, não manifestou apoio explícito ao candidato do PL nesta eleição, embora tenha buscado interferir anteriormente na política brasileira, inclusive por meio da imposição de tarifas comerciais e sanções contra autoridades do país.
Apesar da ausência de manifestações da Casa Rosada e da Casa Branca, a vitória de Lula foi reconhecida por diversos governos de direita da América Latina, apesar das diferenças ideológicas com o presidente brasileiro. Abelardo de la Espriella, que assumiu o poder na Colômbia em agosto, reconheceu a vitória de Lula, apesar das profundas divergências ideológicas entre os dois e do apoio declarado a Flavio Bolsonaro.
O direitista lembrou que o petista havia apoiado seu adversário, Iván Cepeda, na disputa presidencial colombiana, mas ressaltou que cabe aos eleitores decidir o futuro de cada país. “Nem Lula decide pelos colombianos, nem eu decido pelos brasileiros.
Quem decide é o povo! E, quando o povo se manifesta nas urnas, sua vontade é respeitada porque é sagrada. É nisso que consiste a democracia!”, escreveu.
O colombiano afirmou ainda que as diferenças políticas não devem se sobrepor aos interesses nacionais. “O presidente Lula e eu temos grandes e profundas diferenças políticas e ideológicas, mas coincidimos em algo fundamental: Brasil e Colômbia precisam um do outro.” Espriella defendeu uma relação pautada pelo respeito mútuo e pela soberania, com prioridade para o combate ao narcoterrorismo e à mineração ilegal, a proteção da Amazônia e o bem-estar das populações dos dois países.
No Chile, José Antonio Kast, próximo de Flávio Bolsonaro e um dos principais representantes da ultradireita latino-americana, afirmou ter telefonado a Lula e defendeu a continuidade da parceria entre os dois países. “Chile e Brasil têm um futuro promissor em comum, e continuaremos trabalhando em uma agenda que fortaleça as relações entre nossos países nas áreas de integração econômica e combate ao crime organizado na região”, declarou Kast nas redes sociais.
Na mesma esteira, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, parabenizou Lula pela reeleição e defendeu o fortalecimento da cooperação entre os dois países. “Parabenizo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e cumprimento o povo brasileiro por esta jornada democrática”, afirmou.
Às vésperas do bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Peru, Fujimori reafirmou o compromisso de ampliar a aliança estratégica, a integração regional e a cooperação para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, compartilhada pelos dois países. O presidente do Equador, Daniel Noboa, por sua vez, enfatizou os desafios em comum entre Quito e Brasília.
“Parabéns a Lula por esta vitória. Nossa região tem inimigos em comum, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos”.
No Panamá, José Raúl Mulino também saudou o resultado e sinalizou a intenção de dar continuidade à parceria com o Palácio do Planalto. “Parabenizo o povo brasileiro por esta jornada democrática e, especialmente, o presidente Lula pela vitória! Seguiremos trabalhando juntos por nossos países”, publicou.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, outro representante da direita sul-americana, também ressaltou a importância da cooperação bilateral com a maior economia da região ao parabenizar Lula pela conquista do quarto mandato. “Parabéns, Lula, por sua eleição como presidente do Brasil.
Saúdo o povo brasileiro por esta grande jornada democrática”, escreveu. O presidente paraguaio também reafirmou o compromisso de fortalecer a agenda comum de integração e desenvolvimento entre os dois países.
Rodrigo Paz, da Bolívia, destacou os laços históricos entre os dois países vizinhos. “Bolívia e Brasil são países vizinhos e irmãos, unidos por uma história e desafios comuns”, afirmou.
O líder boliviano também defendeu a continuidade da cooperação bilateral para fortalecer as relações e ampliar as oportunidades para as duas nações. A presidente de esquerda do México, Claudia Sheinbaum, foi uma das primeiras líderes latino-americanas a cumprimentar Lula.
Em publicação no X, ela afirmou que o resultado representa uma “vitória do povo brasileiro e da democracia”. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que, assim como Sheinbaum, está entre os poucos líderes latino-americanos alinhados ao espectro político de Lula em meio ao avanço da direita na região, relatou ter conversado por telefone com o petista após a divulgação do resultado.
“Acabo de conversar com o presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um amigo. Eu o parabenizei pela vitória e pela festa democrática que representa um processo eleitoral”, escreveu.
Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel classificou a reeleição como uma “vitória histórica” e afirmou que o resultado garante a continuidade de um caminho de “paz, soberania e justiça social” no Brasil. “Estimado irmão Lula, parabenizo você, em nome do governo e do povo cubanos, por esta vitória histórica”, declarou.
O líder cubano também reafirmou seu compromisso com a integração regional. “O Brasil pode contar com Cuba na construção da unidade e integração de nossa Pátria Grande, latino-americana e caribenha.”
Mesmo em lados opostos da guerra na Ucrânia, Rússia e Ucrânia reconheceram a vitória de Lula. O Kremlin saudou a reeleição do presidente brasileiro e elogiou sua contribuição para o fortalecimento das relações bilaterais e para a atuação do Brics.
Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, felicitou o petista pelos “notáveis resultados eleitorais” e manifestou expectativa de ampliar a cooperação entre Kiev e Brasília. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que, assim como Lula, tem se apresentado como um contraponto a Trump, atribuiu os avanços nas relações entre Ottawa e Brasília à parceria com Lula e manifestou interesse em ampliar a cooperação bilateral, sobretudo nas áreas de comércio e meio ambiente.
“Parabéns pela reeleição no Brasil, presidente Lula. As relações entre o Canadá e o Brasil avançaram graças à nossa parceria”, afirmou.
“Vamos aproveitar esta oportunidade para fortalecê-las ainda mais, juntos, criando novas oportunidades comerciais promissoras, protegendo o meio ambiente e garantindo maior prosperidade para nossas duas populações.” Na França, o presidente Emmanuel Macron, que mantém uma relação próxima com Lula, defendeu o aprofundamento da parceria estratégica entre os dois países.
A sintonia entre os líderes, especialmente na agenda ambiental, já rendeu até memes nas redes sociais, com fotos dos dois juntos comparadas a um ensaio romântico de casal durante uma visita de Macron ao Brasil, em 2024. “Meus parabéns, Lula, pela sua reeleição.
A França e o Brasil têm muito a construir juntos”, escreveu o francês. “Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo.”
O primeiro-ministro Pedro Sánchez, da Espanha, um dos principais líderes de esquerda da Europa, comemorou a reeleição de Lula e interpretou o resultado como um sinal de fortalecimento das forças progressistas no cenário internacional, em meio ao avanço da direita em diversos países.
“Uma grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A retomada progressista global acaba de começar”, afirmou nas redes sociais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou Lula de “meu amigo” e traduziu a reeleição do petista como uma vitória da democracia e do multilateralismo. “Parabéns ao meu amigo Lula pela sua vitória eleitoral.
A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil. A parceria da Europa com o Brasil está florescendo.
Permaneceremos ao seu lado nos anos vindouros”, afirmou. Von der Leyen manifestou ainda o interesse em aprofundar os laços comerciais e a cooperação ambiental.
“Juntos, continuaremos trabalhando de perto por um comércio livre e aberto, uma ordem global baseada em regras e fortes ambições para o nosso clima.” A China, principal destino das exportações brasileiras e maior parceira comercial do país, se manifestou sobre a reeleição de Lula por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.
Ele afirmou que Pequim tomou conhecimento do resultado anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e transmitiu suas felicitações ao presidente brasileiro. Guo acrescentou que a China está “disposta a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil”.
Ainda na Ásia, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, celebrou a vitória de Lula e manifestou interesse em aprofundar a parceria estratégica entre Brasília e Nova Délhi, especialmente na defesa das prioridades compartilhadas do Sul Global. “Minhas mais calorosas felicitações ao meu caro amigo, presidente Lula, pela sua notável vitória na reeleição”, escreveu nas redes sociais.
Modi afirmou ainda que espera ampliar a colaboração entre os dois países em diferentes setores. “Juntos, continuaremos a fortalecer nossa cooperação em diversos setores, avançar as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar por um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável.”
Valor