Colmar Diniz, importante cenógrafo do teatro brasileiro, é novo morador do Retiro dos Artistas

 

Fonte:


Colmar Diniz, importante cenógrafo na história do teatro brasileiro, é o novo morador do Retiro dos Artistas, instituição no Rio de Janeiro que acolhe profissionais das artes em situação de vulnerabilidade. O pernambucano, de 85 anos, terá como endereço uma casa doada pela colega Marieta Severo, uma das maiores apoiadoras do endereço, que fica no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital fluminense.

Trajetóriae estrelada: Atriz do Oficina e ex-mulher de Otávio Augusto: quem é Beth Pinho, nova moradora do Retiro dos Artistas

'Paixão platônica': Musa de clipe do Mamonas Assassinas relembra flerte de 1 ano com baixista por telefone

Formado em sociologia, o profissional decidiu incursionar pelas artes cênicas depois de assistir à consagrada montagem de "O rei da vela", com texto de Oswald de Andrade, realizada pelo Teatro Oficina, em São Paulo, em 1967. "Me encantei com aquilo. Me encantei como se fazia do que era o dia a dia terrível ou não terrível de pessoas numa obra de arte", contou Colmar, em entrevista à Funarte, órgão que acolhe todo o acervo de cenários e figurinos do artista.

A partir desse momento, Colmar Diniz passou a se dedicar ao universo das artes cênicas e construiu uma trajetória que o transformaria em um dos nomes relevantes da cenografia no teatro brasileiro.

É dele, por exemplo, a assinatura cenográfica de "O mistério de Irma Vap", o maior sucesso teatral no Brasil. O pernambucano foi o responsável por toda a cenografia do espetáculo protagonizado por Marco Nanini e Ney Latorraca — marcado por dezenas (e rapidíssimas) trocas de cenários e figurinos sob direção de Marília Pêra —, e que arrebanhou quase três milhões de espectadores por todos os estados do país, em temporadas consecutivas de 1986 a 1997. A montagem, aliás, entrou para o "Guinness" como a peça que ficou mais tempo em cartaz com o mesmo elenco. Um fenômeno.

Ao longo de décadas de trabalho, Colmar colaborou com diretores e companhias importantes, entre os quais Amir Hadd e Aderbal Freire-Filho, desenvolvendo cenários que buscavam dialogar diretamente com o conteúdo dramático das peças.

"Trabalhei com Marília Pêra, Henriette Morineau em seu penúltimo espetáculo... Essas pessoas sempre estudaram muito. Sérgio Britto também é uma pessoa com a qual trabalhei muito, e ele vivia estudando: ele acordava às 7h e ia ler. Isso me dá a ideia perfeita de que é preciso estudar. Sou muito careta nisso. Não há outra saída numa profissão que exige tanto conhecimento e pesquisa. É preciso estudar", discorreu ele, sobre o próprio ofício.