A coligação de Ciro Gomes (PSDB) acionou o Ministério Público do Ceará por pichação atribuída à facção Primeiro Comando Capital (PCC) no município de Itapipoca.
Uma imagem anexada ao processo mostra um muro com a mensagem de que seria "proibido fazer campanha" para o tucano — que disputa o governo estadual — na cidade.
As siglas pedem que o caso seja investigado.
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A campanha de Ciro aponta que apresentou uma notícia-crime "em razão da prática de crimes eleitorais" diante de uma pichação com o "propósito de intimidar e restringir o exercício político".
A denúncia aponta que a pichação estabelece "uma proibição de realização de campanha eleitoral em favor de Ciro em todo um município, associando essa determinação à identificação de conhecida organização criminosa".
A coligação ronhece que, embora a imagem não permita determinar efetiva vinculação da mensagem ao PCC, seu conteúdo é "suficientemente grave para justificar imediata apuração pelas autoridades competentes".
O combate à criminalidade está entre os principais temas de campanha no estado.
A rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest, publicada em julho, mostra que a violência é enxergada como maior problema cearense — é a percepção de 53% dos moradores.
Crescimento de facções no Ceará
O cenário cearense na última década foi amplamente impactado pela ocupação de periferias por quatro grandes facções.
A população teve a vida atravessada por conflitos entre grupos de capilaridade nacional, como Comando Vermelho (CV) e PCC, e os locais Guardiões do Estado (GDE) e Massa Carcerária.
Há um ponto de virada no segundo semestre de 2025, explica o professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Artur Pires.
O pesquisador aponta que o CV passou a ter hegemonia na região metropolitana de Fortaleza e outras áreas do estado, o que contribui para a redução de confrontos e, por consequência, uma queda de homicídios.
— O governo Elmano tem defendido que a redução é fruto de suas políticas públicas, mas vem fazendo apenas mais do mesmo.
Não tomou nenhuma medida que levasse a uma redução significativa nos últimos meses — afirma Pires, que completa: — Ao mesmo tempo, Ciro se aproveita do que era o Ceará.
Ele bate na tecla de forma populista, porque o grupo político com o qual ele está envolvido nunca apresentou propostas de uma mudança significativa na segurança pública.
A campanha de Elmano defende que resultados de redução da violência no Ceará já “estão aparecendo” e, por isso, um eventual novo mandato do governador seguirá as mesmas diretrizes adotadas nos últimos quatro anos.
— Houve investimento na contratação de mais policiais, inteligência e tecnologia.
Um exemplo é a implementação do uso de Inteligência Artificial para prender criminosos.
Já nosso adversário (Ciro) não tem nenhuma moral para falar sobre segurança.
Ele tem aliados cuja única participação no campo foi atuar por motins de policiais — afirma Chagas Vieira, coordenador da campanha de Elmano.
Já aliados de Ciro afirmam que a gestão de Elmano utiliza táticas de enfrentamento à criminalidade defasadas, que não acompanharam as mudanças na atuação de facções no Ceará.
— Nosso governo atuará para restaurar a autoridade, disciplina e ordem na força pública.
Isso parte do governador, que tem que mostrar urgência, prioridade e liderança, o que foi perdido no estado.
Vamos apostar em inteligência e tecnologia, nesse contexto em que o domínio territorial passou a ser a principal atividade de facções — afirma Roberto Cláudio, candidato a vice e membro da equipe de elaboração do plano de governo.
