Coletivos culturais apresentam dança, teatro e circo de graça na Vila Olímpica da Gamboa
A Vila Olímpica da Gamboa, no Centro do Rio, vai receber, nesta terça-feira, das 16h às 18h, apresentações gratuitas de circo contemporâneo, dança e teatro. As performances serão feitas por artistas de quatro coletivos culturais cariocas selecionados no edital Cultura em Movimento, uma iniciativa do Instituto Motiva, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Cada performance dura entre 10 e 20 minutos.
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Após a primeira etapa, cada coletivo recebeu uma bolsa de R$ 8 mil para criar e preparar a apresentação das performances. Com foco em diversidade e inclusão, o edital priorizou candidaturas de pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Ao todo, foram selecionados 12 projetos, sendo quatro do Rio de Janeiro, quatro de São Paulo e quatro de Salvador, na Bahia, que passam a integrar a programação em diferentes espaços de atuação da Motiva, empresa de infraestrutura de mobilidade brasileira da qual o Instituto Motiva faz parte.
A Companhia Manaká desenvolve trabalho de circo contemporâneo
Arquivo pessoal
— O edital Cultura em Movimento reafirma o compromisso do Instituto Motiva em democratizar o acesso à cultura e levar oportunidades para onde as pessoas estão. Ao apoiar coletivos locais, fortalecemos a economia criativa dos territórios e ampliamos o impacto social das nossas ações. Ver artistas ocupando espaços públicos e dialogando com o fluxo da cidade mostra, na prática, como a arte pode transformar realidades e aproximar comunidades do seu próprio patrimônio cultural — afirma Renata Ruggiero, presidente do Instituto.
No Rio, os coletivos selecionados foram Corte, Aula Delas, Peleferia e a Companhia Manaká. As apresentações acontecem depois de eles passarem por uma série de masterclasses com artistas convidados e ensaios presenciais realizados por meio da co.liga, escola digital e gratuita de economia criativa, cultura e tecnologia.
— É como se fosse uma residência para artistas, de criação e refinamento do trabalho que eles já fazem, e foi a primeira vez que fizemos com coletivos. A ideia era que eles criassem performances que fizessem relação entre o corpo, o espaço e o trânsito. A proposta é olhar de outra forma para esse espaço, no caso do Rio, a Vila Olímpica. E aí conectar dois territórios: a Maré, por meio dos artistas, e a Providência, que fica ali perto — conta Bruna Camargo, coordenadora de projetos da Fundação Roberto Marinho e da co.liga.
O processo formativo acompanhou os grupos desde a concepção das propostas até a preparação final das performances, fortalecendo o desenvolvimento artístico e a troca entre coletivos de diferentes regiões do país. Para isso, a co.liga convidou artistas do Observatório de Favelas, através do Galpão Bela Maré, para compor o time de mentores.
De esquerda para a direita: coletivo Aula Delas e Peleferia
Arquivo pessoal
Quem são os coletivos
A Companhia Manaká é um coletivo formado por Daniel Sanches, Eliayse Villote, Vítor Constant, Bárbara Farias e Luciano Rufino. Os cinco artistas desenvolvem um trabalho de circo contemporâneo em diálogo com a dança a partir da cosmologia indígena, inspirada na tradição Guarani, para narrar a criação do mundo a partir de Tupã, com elementos simbólicos. Na apresentação, a ideia é traduzida em linguagem cênica por meio do circo contemporâneo, com o uso de uma estrutura aérea que permite acrobacias e cria imagens de leveza associadas ao cosmos e aos planetas. O trabalho também incorpora forte presença da dança, incluindo referências à dança indígena e à dança afro.
— Estamos muito animados para as apresentações, porque, além de ser a estreia do espetáculo, também será uma oportunidade de levar a nossa cultura para um espaço urbano, onde muitas pessoas passam todos os dias. A expectativa é justamente essa: quebrar um pouco a rotina de quem está só de passagem e surpreender com a arte. Pensar que nosso trabalho pode impactar o público nos deixa ainda mais empolgados para esse momento — conta a representante do coletivo, Bárbara Thaís.
Já o coletivo Aula Delas, criado por Isabella Bellas e Kley Hudson, tem como foco artistas e dançarinos trans e conta com as participações de Angel Lua, Artur Azevedo e Lari Ferreira. As fundadoras buscam reunir um grupo de pessoas que se identificam entre si e têm os mesmos olhares sobre o mundo. Chamada ‘Tiranas’, a performance conta com três mulheres trans em cena e o coletivo espera causar impacto, mas também trazer acolhimento ao público presente. Uma das fundadoras, Isabella, relata como a formação oferecida pela co.liga foi essencial para a organização da produção criativa do grupo.
— Como artistas autônomos, as aulas e palestrantes convidados no processo de formação foram muito importantes para enxergarmos diferentes caminhos e possibilidades de criação. O contato e a troca com os outros coletivos também foram essenciais e agregaram muito no processo criativo — afirma Isabella.
Formado por jovens de comunidades periféricas, o coletivo de teatro Corte consolidou-se em 2024, por meio da escola de artes livres "Entre Lugares Maré". O grupo é composto por Edson Martins, Fernanda Ponte, Jade Cardoso, Lucas da Silva, Roger Neri, Thiago Manzotti e Yasmin Rodrigues, e conta com direção cênica de Renata Tavares. A proposta central do coletivo é pautada em narrativas pretas e periféricas, a partir de temas como a realidade de jovens retratada em obras de Plínio Marcos, como "Querô, uma Reportagem Maldita".
Para Thiago Manzotti, o processo de formação pela co.liga foi fundamental para amadurecer a forma de levar as questões ao palco e ir além do óbvio.
— Por meio das masterclasses, conseguimos ampliar o nosso olhar sobre como abordar esses temas para além do viés da dor. Passamos a entender como tratar a dor com mais sensibilidade, trazendo um ponto de vista que gera reflexão e provoca de uma forma mais profunda do que quando ficamos restritos a uma única perspectiva — afirma Thiago.
Ele destaca, também, a expectativa para a apresentação final.
— Estamos animados para levar a nossa mensagem da forma e vivenciar o evento como um todo, compreendendo melhor a interligação entre diferentes coletivos e fazeres artísticos — acrescenta.
O coletivo Peleferia, formado por Adrielle Carvalho, Andrezza Soares e Dudu Neves, irá apresentar o projeto “Trabalho Nosso De Cada Dia”. O grupo preparou um esquete voltado ao desgaste físico e psicológico causado pela escala 6 por 1 e seus exploradores, com o objetivo de provocar o público a questionar sobre o assunto e refletir sobre a própria rotina, como por exemplo, se vivem mais em casa ou no ambiente de trabalho.
Serviço
• Evento: Apresentação coletivos Cultura em Movimento
• Dia: Terça-feira, 7 de abril
• Horário: entre 16h e 18h.
• Local: Vila Olímpica da Gamboa, centro do Rio
