Cofundador de gigante da tecnologia é acusado de violar lei de exportação e contrabandear mais de R$13 bilhões em chips para a China

 

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou, nesta quinta-feira, 19, Yih-Shyan “Wally” Liaw, Ruei-Tsang “Steven” Chang e Ting-Wei “Willy” Sun de “supostamente conspirar para desviar servidores de computador de alto desempenho montados nos Estados Unidos e integrar tecnologia sofisticada de inteligência artificial dos EUA para a China”. Liaw, cidadão americano, é cofundador da gigante de tecnologia Super Micro, uma das principais empresas do ramo de servidores do mundo. Vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios, ele também atuava no conselho administrativo da empresa — que viu suas ações terem uma forte queda na tarde de ontem.

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De acordo com o Diretor Assistente do FBI Roman Rozhavsky, eles “conspiraram para vender bilhões de dólares em servidores que integravam unidades de processamento gráfico sensíveis e controladas para compradores na China, em violação das leis de controle de exportação dos EUA”.

Segundo as investigações, o valor dos chips de inteligência artificial chega a U$2,5 bilhões — ou mais de R$13 bilhões.

Servidores falsos para enganar autoridades

Na nota oficial do Departamento de Justiça, os investigadores exemplificam um dos meios que Wally, Steven e Willy conseguiam enganar as autoridades aduaneiras e contrabandear os servidores.

Imagem do armazém com servidores falsos

Reprodução/Department of Justice

Os três acusados teriam preparado “milhares de servidores ‘fictícios’ — réplicas físicas não funcionais dos servidores do fabricante americano — para inspeção nos locais onde a Empresa-1 supostamente armazenava os servidores que havia comprado do fabricante americano”.

Só que, na verdade, os servidores verdadeiros já tinham sido enviados para a China.

Os mesmos servidores falsos foram colocados em outro armazem. Na ocasião, Willy e outro conspirador aparecem, em imagens, usando um secador de cabelo para remover e colar etiquetas e adesivos com números de série nas caixas dos servidores e nos próprios servidores falsos; e, em seguida, reembalando os servidores falsos nas caixas do fabricante americano.

Ting-Wei Sun com secador de cabelo; instrumento era usado para retirar número de série

Reprodução/Department of Justice

Super Micro anuncia afastamento de acusados

Em nota publicada na tarde de ontem, a Super Micro — que não foi citada na acusação — afirmou ter colocado Wally e Steven, funcionários da empresa, em licença administrativa.

Sobre Willy, terceirizada, Super Micro diz que “rescindiu sua relação com o contratado, com efeito imediato”.