Cofundador da Uber lança empresa de robôs que podem trabalhar em cozinhas, mineração e transporte

 

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O cofundador da Uber, Travis Kalanick, anunciou um novo empreendimento voltado ao desenvolvimento de robôs que possam trabalhar em setores como alimentação, mineração e transporte. O projeto nasce a partir da reformulação da empresa City Storage, que pertence a Kalanick e controla a operadora de "dark kitchens", CloudKitchens. A companhia passará a se chamar Atoms, segundo publicação em seu site.

Até agora conhecida por investir em infraestrutura para produção e entrega de comida, a empresa agora pretende expandir para o desenvolvimento de tecnologia robótica. A ideia é criar máquinas especializadas para tarefas específicas, como preparar alimentos, operar em minas ou ajudar no transporte de cargas.

Kalanick afirmou no programa de tecnologia transmitido ao vivo TBPN tech talk show, na sexta-feira, que a Atoms esteve praticamente em modo sigiloso por oito anos e já conta com “milhares” de funcionários.

Kalanick deixou o comando da Uber em 2017, após uma série de controvérsias na empresa, e saiu do conselho em 2019. No texto publicado no site da nova companhia, ele descreve a criação da Atoms como seu próximo grande projeto depois da saída da empresa que fundou.

“Sangrei, mas não pereci”, escreveu Kalanick. “Levantei-me novamente e lutei para voltar à arena.”

No ano passado, a CloudKitchens adiou planos de abrir o capital de seu negócio no Oriente Médio, informou a Bloomberg News em dezembro, como parte de uma desaceleração mais ampla das ofertas públicas iniciais na região. A empresa havia considerado uma listagem dupla em Abu Dhabi e na Arábia Saudita, que poderia ocorrer já em 2026.

Empregos produtivos

A nova empresa pretende produzir, segundo ele, “robôs especializados com empregos produtivos”, capazes de gerar ganhos para seus proprietários e também para a sociedade. Entre os planos estão sistemas para melhorar a produção de alimentos, aumentar a eficiência da mineração e desenvolver plataformas de mobilidade para robôs usados no transporte.

O interesse de Kalanick por veículos autônomos não é novo. Quando ainda liderava a Uber, ele via o projeto de carros autônomos do Google, que depois se tornou a Waymo, como uma ameaça ao negócio da empresa. Em 2020, já após sua saída, a Uber vendeu sua divisão de carros autônomos para a Aurora Innovation.

“O setor industrial é provavelmente nossa principal praia”, disse ele no TBPN. “Quando você resolve o problema do movimento no mundo físico, há muita gente que quer acesso a isso.”

As ambições de Kalanick com direção autônoma remontam a quando ele ainda comandava a Uber, há cerca de uma década, ao enxergar o projeto inicial de carros autônomos do Google — que mais tarde se tornou a Waymo — como uma ameaça crescente. Em 2020, após sua saída, a Uber vendeu sua divisão de carros autônomos para a Aurora Innovation.

Na Atoms, Kalanick recorreu a uma equipe de antigos colaboradores para liderar iniciativas-chave. Eric Meyhofer, ex-professor de robótica da Carnegie Mellon University que comandou a divisão de direção autônoma da Uber, lidera a área de robótica alimentícia da empresa, chamada Lab37, em Pittsburgh. O laboratório desenvolve uma máquina de montagem de refeições chamada Bowl Builder, segundo seu site.

Kalanick também afirmou ser o maior investidor da Pronto AI, startup de caminhões autônomos que atualmente se concentra em ambientes fechados, como minas. Ele indicou que um acordo com o cofundador e CEO da empresa, Anthony Levandowski, poderia ser fechado “hoje ou amanhã”. O site da Atoms já exibe o logotipo da Pronto ao lado de suas outras unidades.

Os laços empresariais entre Levandowski e Kalanick remontam a 2016, quando Kalanick recrutou o engenheiro — membro fundador do projeto de carros autônomos do Google — para trabalhar nos esforços internos de veículos sem motorista da Uber.

Os dois desenvolveram uma relação próxima, com Kalanick descrevendo Levandowski como um “irmão de outra mãe” em entrevista à Bloomberg Businessweek em 2017.

O Google posteriormente processou a Uber por suposto roubo de informações proprietárias. Levandowski foi condenado por roubo de segredos comerciais, mas evitou pena de prisão graças a um perdão concedido pelo presidente Donald Trump.