Clubes ingleses planejam usar IA para ajudar em negociações e prever movimento de rivais no mercado
Pelo menos três grandes clubes da Premier League estariam considerando a utilização de IA para ajudar em transferência de jogadores e prever movimentações dos rivais. Segundo o jornal inglês The Telegraph, os clubes planejam criar "clones digitais" dos rivais para obter uma vantagem prevendo ações dos adversários. A iniciativa utiliza a tecnologia de inteligência artificial da empresa britânica Nostrada.ai para simular as reações de adversários e prever o desenrolar de negociações complexas.
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A ferramenta não é novidade, e já foi empregada por funcionários dos governos da Espanha e da Eslovênia para modelar as respostas do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, durante as negociações críticas sobre o plano de recuperação do Brexit. Agora adaptado ao contexto do futebol inglês, o software permite que os clubes realizem 'simulações estratégicas' para testar cenários antes de apresentarem ofertas reais.
Segundo o jornal inglês, três clubes da Inglaterra estariam interessados em comprar a tecnologia. Conversas estão em andamento sobre a exclusividade da ferramente e como o recurso poderia ser usado.
Como funciona o "clone digital" dos adversários feito pelo chatbot
O sistema é baseado em um vasto volume de dados processados por uma empresa argentina, que analisa tendências de transferências e padrões de comportamento ao longo de vários anos. Com isso, a IA consegue gerar perfis estatísticos de diretores esportivos, presidentes de clubes e até agentes.
De acordo com Leon Emirali, fundador da Nostrada.ai, a tecnologia leva em conta alguns elementos, como a posição financeira real do clube rival, o impacto das regras de sustentabilidade financeira (fair play) da Inglaterra e o histórico de respostas a propostas anteriores por seus principais jogadores.
Para atrair os gigantes ingleses, a desenvolvedora garante que cada clube terá uma plataforma protegida por firewall. Isso poderia assegurar que os dados inseridos por uma equipe não sejam usados para treinar a IA de um concorrente, evitando que a ferramenta seja voltada contra o próprio clube que contratou o serviço no futuro. Segundo o jornal inglês a empresa estuda se fechará parcerias exclusivas com apenas um clube da liga ou se abrirá o chatbot para todo o mercado.
Veja como tecnologia funciona na prática
Simulações já foram realizadas para ilustrar o potencial da ferramenta. Em testes feitos pelo jornal Telegraph, o chatbot criou um clone digital de Damian Vidagany, diretor do Aston Villa, para prever as condições sob as quais o clube aceitaria liberar o atacante Morgan Rogers. Assim foram as conversas:
O Arsenal iniciou as conversas com uma oferta de R$ 429,66 milhões fixos e R$ 69,3 milhões em bônus, sem cláusula de revenda. A inteligência artificial, simulando o comportamento do Aston Villa, rejeitou prontamente a proposta, afirmando que a avaliação interna do jogador era de R$ 623,7 milhões. O chatbot destacou que o Villa precisaria de um valor garantido maior, começando em R$ 485,1 milhões, devido à obrigação de repassar 20% da venda ao Middlesbrough e ao desejo do técnico Unai Emery de manter o atleta.
Em uma segunda etapa, o Arsenal elevou a proposta para R$ 498,96 milhões fixos e R$ 83,16 milhões em bônus, adicionando uma cláusula de revenda de 10%. A IA indicou que os clubes estavam mais próximos de um acordo, mas insistiu que o valor garantido deveria ser bom o suficiente para financiar um substituto à altura, sugerindo algo em torno de R$ 554,4 milhões fixos.
A negociação decisiva ocorreu quando o Arsenal aceitou pagar os R$ 554,4 milhões garantidos, inicialmente com bônus de R$ 55,44 milhões e 10% de revenda. O chatbot classificou a negociação no nível de "zona de acordo", mas impôs condições: os bônus deveriam ser realistas e não haveria cláusula de recompra. No desfecho final, as partes selaram o compromisso com R$ 554,4 milhões fixos, bônus de R$ 83,16 milhões (com gatilhos atingíveis) e uma cláusula de revenda de 12,5% para o Aston Villa.
De acordo com a análise da ferramenta, o negócio atingiu 83% de probabilidade de conclusão, totalizando um valor de R$ 637,56 milhões. Descontando a parte devida ao Middlesbrough (aproximadamente R$ 110,88 milhões do valor fixo), o Aston Villa teria um ganho líquido de cerca de R$ 443,52 milhões sem contar os bônus.
Em outro cenário, a IA modelou o comportamento de Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest, para prever o desfecho de propostas feitas pelo Manchester City pelo meia Elliot Anderson. Dessa vez, o negócio não foi fechado pelo desejo do mandatário em manter o jogador.
