'Cloud Skin': conheça o efeito de pele aveludada que virou tendência e domina a beleza
Depois de anos em que a pele extremamente luminosa, quase espelhada, dominou tutoriais, filtros e editoriais de beleza, uma nova estética começa a ganhar força nas redes sociais e no discurso dos especialistas. A chamada "Cloud Skin" surge como resposta a esse excesso de brilho e perfeição, propondo um visual mais suave, difuso e, principalmente, mais próximo da pele real.
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A tendência, que viralizou no TikTok e vem sendo comentada em publicações internacionais, aposta em um acabamento aveludado, levemente matte, mas ainda luminoso. A ideia não é apagar completamente o glow, e sim suavizá-lo, criando a sensação de uma pele "filtrada naturalmente", com textura uniforme e aspecto descansado.
Diferente da "glass skin", que exaltava o brilho intenso e a aparência ultra-hidratada, a Cloud Skin parte de um outro princípio: o equilíbrio. Aqui, o foco não está em camadas pesadas de produto, mas em uma preparação cuidadosa da pele, que valoriza hidratação estratégica, uniformização e leveza. O resultado desejado é uma aparência menos artificial e mais orgânica, como se a pele respirasse.
Esse movimento também acompanha uma mudança de comportamento mais ampla na beleza contemporânea. Depois de um período marcado por filtros e padrões cada vez mais inatingíveis, cresce a busca por uma estética que dialogue com a vida real, e não apenas com a câmera frontal. Ainda assim, especialistas reforçam que o efeito depende diretamente da saúde da pele, o que torna o cuidado diário parte essencial do processo.
Para a dermatologista Marcella Alves, da Onne Clinic (RJ), o acabamento aveludado não depende apenas da maquiagem.
"Embora a maquiagem ajude a criar um acabamento mais difuso e uniforme, o resultado da chamada 'cloud skin' depende principalmente da qualidade da pele. Uma pele equilibrada, com boa hidratação, textura regular e produção de oleosidade controlada reflete melhor a luz de forma suave, o que gera esse aspecto aveludado. Quando a base cutânea não está saudável, a maquiagem tende a evidenciar irregularidades, dificultando a obtenção desse efeito mais natural", diz ao GLOBO.
Ela explica que o caminho para esse tipo de resultado começa na rotina básica de cuidados. "O primeiro passo é manter uma rotina consistente de cuidados, que inclua limpeza adequada, hidratação compatível com o tipo de pele e proteção solar diária. Além disso, o uso de ativos que promovem renovação celular, como ácidos em concentrações adequadas, e ingredientes que fortalecem a barreira cutânea, como ceramidas e antioxidantes, contribuem para melhorar a textura e a luminosidade natural da pele. Procedimentos dermatológicos também podem ser associados, de forma individualizada, para potencializar esses resultados", afirma.
No entanto, o excesso de estímulos e produtos pode ter o efeito oposto ao desejado. "Sim, especialmente quando há excesso de produtos ou combinação inadequada de ativos. Na tentativa de alcançar rapidamente uma pele mais uniforme, algumas pessoas recorrem ao uso indiscriminado de ácidos ou produtos matificantes, o que pode comprometer a barreira cutânea e causar irritação, sensibilidade ou até efeito rebote de oleosidade. O ideal é respeitar as necessidades da pele e priorizar uma abordagem equilibrada, com orientação profissional quando necessário."
A dermatologista Karla Assed reforça que o movimento da Cloud Skin vai além de uma estética passageira e reflete uma transformação mais profunda na forma como a beleza é percebida.
"Essa tendência reflete, sim, uma mudança mais consistente de comportamento. Nos últimos anos, houve um excesso de filtros e de padrões de pele quase irreais, e isso começou a gerar uma certa saturação. Hoje, percebo no consultório uma busca crescente por uma pele saudável, com textura natural e viço equilibrado, e não mais por um brilho artificial ou um efeito 'plastificado'. A Cloud Skin traduz exatamente esse movimento: uma estética mais sofisticada, que valoriza o cuidado contínuo com a pele. Mais do que uma tendência passageira, ela acompanha um amadurecimento do paciente, que passa a entender que a beleza da pele está diretamente ligada à sua saúde", destaca.
Segundo ela, até mesmo peles com condições específicas podem chegar a esse resultado, desde que haja tratamento adequado.
"É possível, sim mas com adaptação e, principalmente, com tratamento adequado da condição de base. No caso da acne, o controle da oleosidade e da inflamação é fundamental para que a pele tenha uma textura mais uniforme. Já na rosácea, o foco é reduzir a sensibilidade e a vermelhidão, fortalecendo a barreira cutânea. Para peles oleosas, o equilíbrio é a palavra-chave: não se trata de 'secar' a pele, mas de controlar a produção de sebo sem comprometer a hidratação. A Cloud Skin não exige perfeição, mas exige uma pele equilibrada. E isso só é possível com uma rotina bem orientada, que combine ativos adequados e respeito às necessidades individuais", pontua.
Os sinais de que a pele está pronta para esse tipo de acabamento são claros. "Os principais sinais são uma textura mais uniforme, ausência de inflamação ativa, controle da oleosidade e uma barreira cutânea íntegra. A pele preparada é aquela que não apresenta descamação excessiva, vermelhidão persistente ou sensibilidade aumentada. Ela tem um viço natural, sem excesso de brilho, e responde bem a produtos mais leves. Quando a pele está equilibrada, ela naturalmente reflete melhor a luz, dispensando o uso de muitos produtos para criar esse efeito. É justamente isso que a Cloud Skin propõe: menos camadas, mais saúde e uma aparência real, porém refinada", conclui.
