Clima econômico deve registrar volatilidade no 2º semestre com eleições, diz FGV - QTU Questões do Universo

Clima econômico deve registrar volatilidade no 2º semestre com eleições, diz FGV

Fonte: Bandeira da fonte

O Índice de Clima Econômico (ICE) do Brasil, mapeado pela Sondagem Econômica da América Latina da Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu 4,7 pontos, para 76,9 pontos entre o primeiro e o segundo trimestre, informou nesta quinta-feira (20) a fundação.
Para Livio Ribeiro, pesquisador associado da FGV e sócio da consultoria econômica BRCG, foi uma melhora discreta, impulsionada, principalmente, por uma avaliação mais favorável presente entre analistas em relação à economia brasileira.

Porém, mesmo com melhora observada até junho, ele não descartou momentos de volatilidade no ICE do país, no segundo semestre.
Isso porque os próximos meses contarão com fatores que podem dificultar previsões quanto à economia brasileira, como eleições, exemplificou.

A sondagem é publicação da FGV que monitora e antecipa tendências econômicas nos países latino-americanos.
Desde 1994, centenas de especialistas são consultados trimestralmente em mais de 10 países da América Latina, a gerar informações que subsidiam a sondagem.
O ICE da América Latina, indicador-síntese da pesquisa, subiu 10,7 pontos, para 83,7 pontos, entre primeiro e segundo trimestre desse ano.

Ao falar do resultado do ICE brasileiro, Ribeiro lembrou que o índice é composto por dois tópicos.
Enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 22,2 pontos, para 100 pontos, entre primeiro e segundo trimestres, o Índice de Expectativas (IE) caiu 11,1 pontos, para 55,6 pontos, no mesmo período, disse.
“Tivemos uma diminuição de pessimismo com o Brasil [no momento presente]”, comentou ele.
No entanto, o mesmo não pode ser dito em relação às projeções relacionadas à economia brasileira, admitiu.

Embora a sondagem não mapeie razões específicas para o recuo do IE brasileiro, Ribeiro citou alguns motivos que podem ter contribuído para piora em relação à economia brasileira.
Há o fator de transição política, notou.
Com eleições presidenciais, há sempre possibilidade de troca de condução de política econômica.
Também existem dúvidas, na mente dos analistas, quanto ao arcabouço macroeconômico do país, sobre patamar de juros e de política fiscal, para próximos meses.

Outro ponto lembrado por ele é o da reforma tributária.
No entendimento do pesquisador, há falta de clareza sobre as mudanças no regime tributário futuro.
Isso impede investidores, especialmente estrangeiros, de planejar investimentos de médio e longo prazo, comentou.

“O processo de mudança [do regime tributário] está sendo muito lento e muito desorganizado”, disse.

Todos esses fatores reunidos levam a muitas incertezas em relação à cadência da economia brasileira, nos próximos meses, na mente dos analistas, ponderou ele.

Assim, o técnico não descartou que o ICE do Brasil, na Sondagem, opere com certa volatilidade, nos últimos meses do ano.
“Não é uma garantia, mas é uma boa hipótese pensar que teremos período mais volátil, não necessariamente conturbado, mas de volatilidade [nas previsões econômicas relacionadas ao Brasil]”, disse.

Para o economista Livio Ribeiro, vários fatores reunidos levam a muitas incertezas em relação à cadência da economia brasileira, nos próximos meses
Leo Pinheiro/Valor