Cleitinho escolhe adversário de Simões para a vice em chapa em MG e divide a direita no estado

 

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Cotado para concorrer ao governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) adiantou a escolha da composição de parte de sua chapa majoritária e definiu o prefeito de Pato de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), como seu indicado a vice. A escolha vai na contramão dos interesses do vice-governador do estado, Mateus Simões (PSD), que concorrerá ao comando do Executivo como sucessor do governador Romeu Zema (PSD) e tem intenção de ser o único candidato do campo da direita na disputa.

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Falcão foi anunciado pelo senador como o favorito para ocupar a vaga em sua eventual chapa durante o evento de filiação dele ao Republicanos no último final de semana. Na ocasião, foi ele elogiado por Cleitinho e descrito como o nome que conhece a realidade das cidades mineiras por sua experiência no comando da AMM, que tem como afiliados 837 dos 853 municípios do estado.

— Eu queria muito, do fundo do meu coração, se eu for candidato a governador, que quem possa ser não o meu vice, mas um governador junto comigo, seja o Falcão. Ele é o prefeito que sabe onde está o buraco, que conhece o problema na fila do hospital, que sabe a questão da segurança, onde uma mulher é roubada e estuprada todos os dias. O dinheiro tem que ser fortalecido nos municípios — disse Cleitinho.

Falcão e Simões acumulam atritos desde o início do ano, quando a esposa do prefeito, a deputada estadual Lud Falcão (Podemos), relatou ter recebido uma ligação em tom de ameaça do vice-governador. Em vídeo publicado em suas redes sociais, a parlamentar afirmou que Mateus disse que iria "fechar as portas do Executivo" para os dois, caso não recebesse um pedido de desculpas do marido dela.

À época, Luís Eduardo havia publicado um conteúdo em resposta a Simões, depois do vice-governador comentar, em tom irônico durante um evento aberto ao público, que um prefeito do interior de Minas ofereceu conceder "dois estagiários" para ajudar a Polícia Militar do estado. Falcão viu o comentário como uma ofensa e disse que ele "não está sabendo o que realmente se passa nas cidades de Minas fora da capital".

Em seguida, o vice-governador tentou manter a ponte aberta para o possível adversário, dizendo que “respeita muito a trajetória de Cleitinho”, além de afirmar que eles “nunca estiveram em lados opostos” e que “espera que não fiquem agora”. Depois do episódio, Falcão relata que o contato que mantinham com Simões foi perdido.

— Não foi uma conversa, e sim uma coisa bem exaltada, de fazer esse tipo de ameaça, que acabou confirmada, porque depois disso a gente nunca mais conseguiu nem marcar uma agenda com o governo de Minas. Foram cortados também os contratos que o governo tinha com a Associação Mineira de Municípios para fazer os nossos eventos de capacitação de prefeitos. Deixaram totalmente de lado essa institucionalidade que existia — relatou ao GLOBO.

Apesar dos atritos, Falcão afirmou que tem "respeito" pelo vice-governador e defendeu que haja uma unificação do campo da direita em Minas. Ele destaca, no entanto, que o nome de Cleitinho aparece na liderança nas pesquisas e que ele tem "a maior condição de encabeçar essa união". Publicamente, a hipótese do senador e de Simões estarem juntos nas urnas não tem sido descartada por nenhum dos dois lados.

Cleitinho, por sua vez, tem afirmado que “tratará da campanha só em maio ou junho”. Nas redes sociais, no entanto, após receber o aval das cúpulas nacional e estadual do Republicanos, ele passou a replicar postagens sobre o projeto. Em um deles, apareceu em vídeo ao lado de uma ex-professora, afirmando que sua decisão de concorrer “é por Minas e pela educação” no estado e no país.

O senador também tem buscado articulações junto a outros representantes do campo bolsonarista no estado, como o deputado Nikolas Ferreira (PL), a quem teria oferecido abrir mão da candidatura para apoiá-lo na disputa pelo governo do estado. O plano, contudo, não desperta interesse em Nikolas, que buscará a reeleição na Câmara e tem articulado para formar uma rede própria de influência e de aliados em Minas e em outros estados.

No PL, integrantes da bancada na Assembleia Legislativa, como os deputados estaduais Cabo Caporezzo (PL-MG) e Sargento Rodrigues (PL-MG), defendem que a sigla apoie Cleitinho. Entre aliados de Simões, a avaliação é que ele se tornará conhecido ao assumir o comando do estado no final deste mês com a saída de Zema do cargo, marcada para o dia 22 de março.

Em meio às articulações do Republicanos para ter a indicação do senador como candidato, Simões subiu o tom na semana passada contra o presidente estadual do partido, o deputado federal Euclydes Pettersen (MG), alvo recente de uma operação da Polícia Federal ligada à investigação dos descontos fraudulentos do INSS.

— O Republicanos tem que se preocupar mais em explicar a situação do presidente estadual do partido, que está quase preso pela Polícia Federal, do que ficar falando em administrar o estado — disse na ocasião.

Em seguida, o vice-governador tentou manter a ponte aberta para o possível adversário, dizendo que “respeita muito a trajetória de Cleitinho”, além de afirmar que eles “nunca estiveram em lados opostos” e que “espera que não fiquem agora”. Ele também Simões também já chegou a considerar o irmão do senador e prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (PL), para a vaga de vice em sua chapa, mas tem como principal opção a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé (Novo), considerada aliada próxima.