Claudia Raia conta como engravidou aos 55 anos e relato gera debate entre especialistas - QTU Questões do Universo

Claudia Raia conta como engravidou aos 55 anos e relato gera debate entre especialistas

Fonte: Bandeira da fonte

Claudia Raia, de 59 anos, voltou a explicar como engravidou aos 55 anos e gerou debate nas redes sociais entre especialistas em reprodução humana.
Luca nasceu no dia 11 de fevereiro de 2023 e é o terceiro filho da atriz -- o primeiro de sua relação com o ator Jarbas Homem de Mello, de 57.
A artista também é mãe de Enzo Celulari, de 29, e Sophia Raia, de 23, do casamento com o ator Edson Celulari, de 68.

Em entrevista ao Na Palma da Mari Entre Mulheres, comandado pela jornalista Mari Palma, a atriz contou que engravidou após passar por uma tentativa de fertilização in vitro (FIV) que não resultou na formação de embriões.
"Estava tudo certo para fazer a FIV.
O que aconteceu? O embrião não se formou.
Porque a gente toma hormônio durante 30 dias e nos últimos cinco dias, você toma a progesterona, que é quando vai fazer a fecundação do óvulo com o espermatozoide.
O que aconteceu é que não fecundou, não se fez o embrião.
Então perdi os óvulos.
Não desenvolveu", disse.
Segundo Claudia, a decisão de realizar a FIV veio acompanhada de uma conversa pessoal com Deus.
"E eu tinha tido uma conversa com Deus maravilhosa, em que eu falei: ‘Deus, se for para eu engravidar, se for para a nossa felicidade, felicidade da nossa família, me dê de primeira’.
Porque não vou encher o meu corpo de hormônio… Nunca tomei hormônio na minha vida.
Eu já tenho dois filhos, sou superfeliz, meu casamento não depende disso, então está tudo bem para mim.
Se você me der um sinal de que não é para ser eu vou entender.
Aí quando Sylvana [Vasconcelos, ginecologista da atriz] ligou, dizendo que não tinham feito os embriões, só olhei para cima e falei: ok, entendi.
Fiquei um pouquinho chateada? Fiquei, mas toquei minha vida", lembrou.

Foi justamente depois da tentativa frustrada de FIV que, de acordo com Claudia, aconteceu o que ela considera a grande surpresa da história.
Após o tratamento hormonal, ela disse que passou a menstruar novamente nos meses seguintes.

“Aí que começa a história.
Porque eu, como nunca tinha tomado hormônio na minha vida, os hormônios que eu tomei deram um boost no meu corpo e eu passei a ovular, mas nós não estamos sabendo disso.
Eu menstruei o primeiro mês.
Eu ciclei três meses.
E ela disse assim: deve ser escape da menopausa.
Eu disse: mas é engraçado porque só dura quatro dias.
Fica igualzinho como era.
Os quatro dias.
Primeiro dia mais fluxo, vai diminuindo, dor de cabeça, dor na lombar, aquilo tudo.
Ela disse: não, mas calma.
Porque você acabou de fazer uma bomba de hormônio, então pode ser que tenha mexido e tal.
Segundo mês a mesma coisa.
Terceiro mês ela falou: 'vem aqui porque eu preciso ver'.
Aí estou eu lá fazendo o ultrassom, o Jarbas do lado, ela disse: 'você está ovulando'.
Eu disse: 'oi, você está bem louca, né? Porque eu estou na menopausa'.
Ela falou: 'você tem dois óvulos no ovário direito e um no esquerdo.
Cuidado para não engravidar'.
Ela falou essa frase.
Eu falei: 'mas era só o que me faltava'.
A gente deu risada.
Porque imagina! A gente não imaginou!"

Relato de Raia divide especialistas
relato de Claudia provocou discussão entre especialistas em ginecologia e reprodução humana, principalmente sobre a interpretação de que os hormônios utilizados na FIV teriam provocado um suposto "boost" capaz de fazer uma mulher na menopausa voltar a ovular.
O médico Matheus Groner, especialista em reprodução humana, ironizou o caso.
"Esse caso precisa ser publicado!!! É um achado único na ciência da fertilidade!!! (Contém ironia)", disse.
A ginecologista Flávia Torelli também destacou que situações como a da atriz não devem ser interpretadas como algo esperado para mulheres na mesma faixa etária.
Para ela, a história de Claudia é excepcional e não deve criar a expectativa de que o tratamento hormonal possa restaurar a fertilidade.
"É muito importante as mulheres saberem que a chance disso acontecer tende a zero.
E que a idade é um fator fundamental para o sucesso da gestação.
Por isso, para quem tem interesse, procure um bom especialista!", afirmou.

A médica Marcia Mendonça foi ainda mais enfática ao fazer uma ressalva sobre o uso da expressão "boost de hormônio".
Segundo ela, é importante diferenciar uma situação individual e extraordinária de uma possibilidade reprodutiva que possa ser reproduzida em outras mulheres.
"A idade média da menopausa é 51 anos.
Menopausa é um diagnóstico estabelecido após um ano sem menstruar e significa que houve esgotamento da população de folículos.
Segundo a American Society for Reproductive Medicine, a chance de gravidez espontânea por ciclo menstrual é de cerca de 20% aos 30 anos e cai para menos de 5% após os 40 anos e, aos 55 anos é considerada efetivamente zero.
Infelizmente não há 'boost de hormônio' capaz de reverter isso.
As mulheres merecem receber informações baseadas em evidências científicas e em uma avaliação médica para tomar decisões sobre seu planejamento reprodutivo", explicou a médica.