Classificar organizações criminosas como terroristas afetaria mercado financeiro e turismo no Brasil, diz Durigan

 

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O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta sexta-feira que se reuniu com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante agendas em Washington. Segundo ele, as conversas com a equipe econômica americana se concentraram em temas como inteligência artificial, stablecoins e cooperação internacional.

— Eu mesmo encontrei com o Scott Bassent em duas ou três reuniões, pude conversar com ele — disse Durigan.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas, o ministro afirmou que o tema não foi tratado nas reuniões com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e avaliou que a medida não seria adequada.

— Não parece devido — afirmou nesta sexta-feira — Acho que pode ter impacto no mercado financeiro, pode ter impacto no turismo, e isso é ruim.

Durigan afirmou que, nas reuniões da área econômica, também não recebeu questionamentos sobre o tema.

— A equipe conversou nos variados níveis com os norte-americanos e a gente não teve nenhum questionamento, nenhuma informação sobre isso. O que eu tenho dividido, inclusive com os norte-americanos, foi o sucesso do anúncio da semana passada, da ampliação da parceria da Receita Federal com os norte-americanos.

Segundo o ministro, o reforço da cooperação e da troca de informações entre os dois países pode trazer resultados mais concretos na área de segurança.

Durigan também disse que não tratou com Bessent da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Segundo ele, esse assunto está sendo conduzido pelo Itamaraty junto aos órgãos responsáveis do governo americano.

— Nas conversas que eu tive com o Bessent, a gente não entrou nos temas da 301. O Itamaraty tem tratado desse tema, das respostas à 301, dentro da trilha correta, com o USTR e com o Departamento de Estado — afirmou.

Ao comentar o processo, o ministro disse esperar que os questionamentos apresentados pelos americanos sejam respondidos e analisados de forma técnica. Segundo ele, o instrumento não deveria ser usado apenas para justificar uma eventual imposição de tarifas ao Brasil.

Outro tema citado por Durigan foi o debate sobre minerais críticos. Ele disse que o assunto vem sendo tratado no âmbito do G7, atualmente sob presidência da França, e que ainda teria uma conversa sobre esse tema ao longo do dia.

Segundo o ministro, a posição defendida pelo Brasil é a de que países do sul global não devem se limitar à extração e exportação de minerais estratégicos, sem participar das etapas de transformação industrial e desenvolvimento tecnológico.