Claire’s fecha últimas lojas no Reino Unido e Irlanda e demite mais de 1,3 mil funcionários
A rede de acessórios Claire’s encerrou nesta segunda-feira todas as lojas independentes no Reino Unido e na Irlanda, concluindo o fechamento de sua operação física na região e deixando mais de 1,300 funcionários sem emprego. As últimas unidades remanescentes devem concluir o encerramento formal nesta terça-feira, após funcionários serem orientados a empacotar estoques e equipamentos.
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O fechamento ocorre poucos meses depois de a companhia entrar em administração judicial, equivalente ao processo de insolvência, pela segunda vez em menos de um ano. Segundo os administradores da Kroll, todas as lojas independentes deixaram de operar nesta segunda e os empregados foram informados sobre as demissões.
Quiosques, concessões em outras redes varejistas e operações europeias da marca seguirão funcionando.
A Claire’s havia passado por uma primeira reestruturação em agosto do ano passado, quando a Modella Capital comprou 154 lojas da rede, preservando cerca de 1,3 mil postos de trabalho. Outras 145 unidades que não entraram no acordo foram fechadas no fim de novembro. Desde então, aproximadamente dez lojas adicionais encerraram atividades, deixando cerca de 135 pontos em situação indefinida até a nova insolvência em janeiro.
Nas últimas semanas, unidades em cidades como Cheshire Oaks, Sutton Coldfield, Stockport, Watford, Bangor e Swindon já haviam fechado. Lojas em Romford e Chester também exibiam avisos de liquidação total.
Conhecida pelas vitrines coloridas, bijuterias e pelo serviço de colocação de piercings e brincos, a Claire’s se tornou presença tradicional em centros comerciais e ruas de comércio britânicas, especialmente entre adolescentes. Fundada em 1961, em Chicago, a empresa chegou a operar mais de 2,750 lojas em 17 países da América do Norte e da Europa.
A deterioração financeira da operação britânica foi atribuída à forte concorrência de varejistas digitais como Amazon, Shein e Temu, além do avanço das vendas por redes sociais como TikTok. Mudanças no comportamento do consumidor também pressionaram a rede, que enfrentava dificuldades semelhantes às de outras marcas tradicionais do varejo físico.
A situação se agravou após a operação da Claire’s nos Estados Unidos e no Canadá entrar em processo de falência pela segunda vez em sete anos.
Em janeiro, a Modella Capital afirmou que um desempenho “alarmante” no Natal contribuiu para a decisão de devolver a companhia à administração judicial. A gestora também citou o ambiente “extremamente desafiador” do comércio de rua britânico e o aumento de custos trabalhistas, como encargos previdenciários patronais.
Apesar do fechamento em massa, ainda há tentativas de resgatar parte da operação. O empresário francês Julien Jarjoura, responsável por negócios da Claire’s em outros países europeus, negocia a aquisição de cerca de 50 lojas no Reino Unido. As conversas com proprietários de imóveis continuam, sem garantia de acordo.
