Citado como passageiro em voos de Epstein, ex-presidente colombiano Andrés Pastrana nega vínculos com crimes sexuais

 

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O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana negou neste domingo ter qualquer vínculo com os crimes sexuais de Jeffrey Epstein, após ser citado em documentos desclassificados dos Estados Unidos que o mencionam em viagens com o financista nova-iorquino.

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Nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça sobre os crimes de Epstein, o ex-mandatário colombiano aparece citado em diversas ocasiões. Pastrana manteve estreita relação com Washington durante seu governo, entre 1998 e 2002. Seu nome figura como passageiro em voos privados de Epstein e em e-mails que sugerem uma relação de confiança com ele e com sua cúmplice, Ghislaine Maxwell.

Pastrana, de 71 anos, afirmou neste domingo que “não há absolutamente nada” ilegal em seus encontros, que, segundo os documentos, teriam ocorrido em Cuba, nos Estados Unidos e na Irlanda.

— Quem não deve, não teme — disse à emissora Caracol Radio.

Os arquivos não mencionam explicitamente se Pastrana visitou propriedades privadas de Epstein, como sua famosa ilha particular no Caribe, onde o financista supostamente traficava mulheres e menores de idade para colocá-las à disposição de empresários poderosos e figuras políticas.

— Nunca fui à ilha — acrescentou o ex-governante colombiano.

Pastrana afirma que seus encontros com Epstein sempre tiveram caráter formal e que as acusações contra ele são motivadas por interesses políticos.

O líder de direita reconheceu que intermediou um encontro em 2003 entre Epstein e Fidel Castro, em Havana (Cuba), reunião da qual há registro fotográfico. Pastrana foi o principal articulador do Plano Colômbia, um acordo bilionário firmado com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton (1993–2001) para combater o narcotráfico.

Clinton também enfrenta questionamentos por supostos vínculos com o caso. Na última segunda-feira, ele afirmou a congressistas dos Estados Unidos que não tinha conhecimento das atividades de Epstein. Meios de comunicação colombianos publicaram recentemente fotografias em que Maxwell aparece vestindo um uniforme da Força Aérea Colombiana em 2002.

Segundo a imprensa, ela chegou a pilotar um helicóptero Black Hawk e há e-mails desclassificados nos quais afirma ter disparado do ar contra um “grupo guerrilheiro” na Amazônia. Pastrana reconheceu que Maxwell realizou um breve voo, mas negou que ela tenha feito ataques a partir da aeronave.

Epstein mantinha relações antigas com elites políticas e empresariais ao redor do mundo. Em 2008, declarou-se culpado por solicitar serviços de prostituição de uma menor de idade e morreu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento.