Cirurgia plástica não é mágica: o que ela realmente muda na sua autoestima

 

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Mais do que transformar a aparência, a cirurgia plástica hoje dialoga com identidade, autoestima e emoções. Para muitos pacientes, o desejo de mudar algo no corpo vem acompanhado da expectativa de sentir-se melhor consigo mesmo, mas nem sempre essas expectativas são explícitas ou realistas.

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Na prática clínica, muitos chegam motivados por um incômodo físico, mas também carregam uma expectativa silenciosa de alívio emocional. Quando essa expectativa está alinhada ao que o procedimento pode oferecer, os efeitos vão além da estética: há maior conforto com a própria imagem, autoestima reforçada e impacto positivo na qualidade de vida. O problema surge quando a cirurgia é vista como resposta para conflitos que extrapolam o campo estético.

Especialistas destacam que esse desalinhamento é uma das principais causas de frustração no pós-operatório, mesmo quando a cirurgia é tecnicamente bem-sucedida. "Nem sempre o desejo fala apenas do corpo. Muitas vezes, ele carrega a expectativa de que algo interno finalmente se organize", explica o cirurgião plástico Leandro Faustino. Segundo ele, identificar esse cenário ainda na avaliação inicial é fundamental para que a cirurgia seja uma escolha consciente, e não uma tentativa de compensação emocional.

O pós-operatório é o momento em que a expectativa se confronta com a realidade. Inchaço, cicatrização e uma imagem corporal transitória podem gerar ansiedade e insegurança. "O pós-operatório também é um processo psicológico. Existe um tempo necessário para que a pessoa se reconheça nesse novo corpo", acrescenta a cirurgiã plástica Thamy Motoki. Quando essa adaptação não é considerada, reações emocionais comuns podem ser interpretadas como arrependimento ou insatisfação.

Em alguns casos, a insatisfação persiste ou se desloca para outras áreas do corpo. Nesses cenários, a cirurgia não falha tecnicamente, mas evidencia um desconforto mais profundo, relacionado à forma como a pessoa se percebe e se relaciona com a própria imagem. O aumento do acesso à cirurgia plástica reduziu tabus, mas também alimentou a ideia equivocada de que seu impacto emocional é imediato ou simples.

Por isso, profissionais da área reforçam a importância de reconhecer os limites da cirurgia plástica. O procedimento é uma ferramenta legítima de cuidado com o corpo, desde que não seja sobrecarregado com expectativas que pertencem ao campo da saúde mental. A pergunta central deixa de ser apenas "vale a pena operar?" e passa a ser "o que espero sentir depois?". A resposta ajuda a determinar se a transformação será apenas estética ou realmente benéfica.

Hoje, a decisão por uma cirurgia plástica envolve corpo e mente. Quando expectativas, emoções e procedimentos caminham juntos, os resultados tendem a ser mais satisfatórios e duradouros, não apenas na aparência, mas também na relação do paciente consigo mesmo.