Cirurgia nas costelas para afinar a cintura volta ao debate após relato de influenciadora; entenda como funciona

 

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A busca por um corpo cada vez mais curvilíneo — impulsionada por filtros, tendências estéticas e padrões difundidos nas redes sociais — voltou ao centro do debate após a influenciadora francesa Adea (@adee.ah), que soma mais de 2 milhões de seguidores, revelar ter passado por uma cirurgia nas costelas para conquistar o que definiu como "cintura de vespa".

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O procedimento, pouco conhecido do grande público, gerou polêmica e curiosidade: afinal, é possível afinar a cintura mexendo na estrutura óssea? Especialistas explicam que sim e a técnica tem nome, indicações específicas e critérios de segurança.

Chamada de remodelação costal, a cirurgia consiste em alterar o posicionamento das chamadas costelas flutuantes, localizadas na transição entre o tórax e o abdômen.

"A cirurgia consiste em realizar uma fratura controlada na 10ª, 11ª e 12ª costelas e usar o próprio processo de calcificação para reposicioná-las com o auxílio do uso de um corselete. Essas costelas são chamadas de flutuantes, por não contarem com cartilagens que as conectam ao esterno, e ficam localizadas na transição entre o tórax e o abdômen. Elas são responsáveis pelo alargamento da cintura, então o procedimento proporciona diminuição da circunferência abdominal e, consequentemente, afinamento da cintura e melhora do contorno corporal", explica Carlos Manfrim, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Adea revelou cirurgia nas costelas para afinar a cintura; entenda como funciona

Reprodução Instagram

Segundo o médico, quando corretamente indicado, o procedimento não compromete funções vitais. "Essas costelas flutuantes não fazem parte da dinâmica de respiração. Além disso, por ser uma fratura controlada e parcial, a proteção aos órgãos, como os rins, não é prejudicada", pontua o especialista.

Ainda assim, a cirurgia não é indicada indiscriminadamente. "Existem alguns pacientes que já possuem as costelas flutuantes menores, então o procedimento não trará resultados satisfatórios. Por isso, é importante passar por uma avaliação com o cirurgião plástico e realizar exames, como a tomografia torácica com reconstrução do gradil costal, que permite analisar as costelas e verificar o quanto é possível mexer", afirma a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, membro titular da SBCP.

Apesar de voltar a ganhar destaque agora, a remodelação costal não é exatamente uma novidade na medicina. De acordo com os especialistas, a técnica já é utilizada há anos no tratamento de condições como as síndromes do desfiladeiro torácico e das costelas flutuantes.

"A diferença é que, antes, as incisões eram muito grandes, mas hoje, graças ao bisturi ultrassônico, conseguimos realizar o procedimento com incisões menores, o que possibilita a realização da remodelação costal para fins estéticos. Após as incisões, utilizamos um ultrassom para causar a fratura controlada das costelas e, depois da cirurgia, o paciente deve usar um corselete para moldar a região", diz o Dr. Carlos.

Influenciadora Adea fez cirurgia nas costelas para afinar a cintura

Reprodução Instagram

Ele explica que, atualmente, a técnica tem sido procurada como alternativa para quem deseja afinar a cintura atuando diretamente na estrutura óssea.

"Essa técnica soma-se a métodos já conhecidos, como a lipoaspiração, que também podem reduzir medidas na região, mas atuam apenas sobre as partes moles. Por isso, apresentam resultados mais limitados quando comparados às abordagens que trabalham diretamente na base óssea", acrescenta.

O pós-operatório tende a ser considerado tranquilo. "A alta hospitalar geralmente é no dia seguinte ao procedimento e a paciente pode retornar à rotina após uma semana, mas é recomendado evitar esforço físico intenso de 6 a 12 semanas, conforme recomendação médica, tempo que leva para a costela calcificar completamente", detalha a Dra. Heloise.

Segundo ela, a remodelação costal também pode ser associada a outros procedimentos estéticos, como a lipoaspiração. "Por fim, vale ressaltar que, assim como qualquer outra cirurgia, a remodelação costal não é isenta de riscos, mas é possível evitá-los por meio da escolha de um cirurgião plástico experiente", finaliza a cirurgiã plástica.