Cirurgia cardíaca inédita em UTI neonatal salva recém-nascida no DF

 

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Uma cirurgia cardíaca inédita realizada à beira-leito em uma UTI neonatal foi decisiva para salvar a vida de uma recém-nascida diagnosticada com persistência do canal arterial (PCA), uma cardiopatia congênita que compromete a circulação e sobrecarrega o coração. O procedimento, minimamente invasivo e guiado por ultrassom, foi feito sem a necessidade de deslocamento da paciente nem abertura do tórax.

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A bebê nasceu em 29 de janeiro, no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, após uma gestação sem intercorrências. Ainda na primeira semana de vida, no entanto, apresentou dificuldade para respirar ao retornar à unidade para tratamento de icterícia. Exames apontaram a presença da PCA, condição em que uma estrutura que deveria se fechar após o nascimento permanece aberta.

— Foi um baque. A gente não esperava. No dia seguinte, quando ela foi intubada, entendemos a gravidade da situação — relatou a mãe, Bárbara Xavier, ao Correio Braziliense.

Diante da gravidade do quadro e da impossibilidade de transporte, a equipe médica optou por realizar o fechamento do canal arterial diretamente na UTI neonatal. A intervenção reuniu profissionais de diferentes especialidades e foi conduzida com acesso lateral, sem necessidade de cirurgia aberta.

— Ela não tinha condições de ser transportada. Qualquer deslocamento poderia colocar tudo a perder. Então, buscamos alternativas e conseguimos trazer uma equipe especializada para realizar o procedimento aqui mesmo — explicou a médica Roberta Lengruber, coordenadora da UTI pediátrica e neonatal.

Segundo a equipe, a resposta foi rápida. Em 24 horas, exames já indicavam melhora na função cardíaca e na circulação. A recuperação, porém, seguiu de forma gradual, com necessidade de acompanhamento intensivo ao longo de semanas.

Ao todo, foram 52 dias de internação até a alta, concedida em 26 de março. Durante o período, a família acompanhou a evolução do quadro clínico e celebrou cada avanço.

— A gente viveu um dia de cada vez. A cada pequena melhora, já comemorava — afirmou o pai, Samuel Souza Leite, também ao Correio Braziliense.

O caso é considerado um avanço na assistência neonatal de alta complexidade, ao demonstrar a viabilidade de procedimentos cardíacos realizados à beira-leito em pacientes críticos, reduzindo riscos associados ao transporte. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 10 a cada mil crianças nascem com cardiopatias congênitas no país, e aproximadamente 40% necessitam de cirurgia ainda no primeiro ano de vida.