Cine Copan vai reabrir após 40 anos com 442 lugares, peças de teatro e espaço para eventos culturais

 

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O edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer no Centro de São Paulo, voltará a ter um cinema. O Cine Copan, que está fechado desde a década de 1980, será reaberto e gerido pela Viva do Brasil, que comprou o espaço, e terá o nome de Nu Cine Copan, devido a uma parceria de cinco anos com o Nubank.

A reabertura definitiva do espaço está prevista para 2027, mas a partir do dia 19 de fevereiro o local, que já teve alguns elementos restaurados, vai receber a peça “Hamlet”, dirigida por Rafael Gomes, que ficará em cartaz até maio. Depois disso, o local fecha novamente para as obras por um ano, para voltar a receber sessões de cinema. A peça será protagonizada pelo ator Gabriel Leone e os ingressos estão a venda, a partir de R$ 40 (meia-entrada).

Projeção da entrada do cinema: na parte térrea, com entrada pela galeria do edifício, ficará a bilheteria e a bomboniere, e a sala de cinema fica no segundo andar

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O Cine Copan abriu em agosto de 1970, quatro anos depois da inauguração do edifício, e na época tinha 1.200 lugares com uma estrutura luxuosa. Mas em 1986, o local fechou. O espaço, com 1,8 mil metros de área, abrigou por alguns anos a Igreja Renascer, mas em 2008 ela saiu de lá e o espaço foi interditado pela prefeitura devido a problemas estruturais.

Segundo Isabela Abbês, diretora de marketing do Nubank, será um cinema com ingressos acessíveis e o local também terá acessibilidade para pessoas com deficiência ou dificuldades de locomoção com a construção de rampas e novos elevadores. Os clientes da instituição financeira terão direito à meia-entrada nas sessões.

A sala terá 442 lugares, maior que a média da cidade, com uma tela de LED de 17 metros de largura. O espaço será híbrido, servindo não apenas para abrigar sessões de cinema, mas também eventuais eventos públicos ou lançamentos de séries e filmes.

Cine Copan será integrado ao espaço Pivô, que contará com café, bar e áreas de exposição de arte e residências artísticas, e também será usado para eventos

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Além do cinema, o projeto ainda inclui a integração com um novo espaço de lazer, que vai abrigar cafés, restaurantes, bares, exposições de arte e eventos culturais, em parceria com o Pivô, plataforma de arte contemporânea fundada em 2012, que faz residências e exposições artísticas no Copan. Haverá duas passarelas entre o cinema e esse novo espaço, que fica no segundo andar do edifício e dá acesso à varanda.

— Você vai vir a esse espaço e encontrar muito mais do que só um filme. Vai ter um foyer, com uma galeria, café, bar, eventos, programação cultural , que vai transformar essa experiência para ser algo ainda mais 360. Poderemos ter o lançamento de um grande filme ou grande série e nesse espaço vai estar acontecendo uma exposição sobre o filme, ou uma ativação, por exemplo — explicou Thiago Albanese, do Viva do Brasil.

Novo Cine Copan será reaberto em 2027, com tela de LED de 15 metros de largura e 442 assentos

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A fachada terá as características originais mantidas, com a tipografia tradicional do Cine Copan, mas o espaço interno não é tombado. Para a reforma, entretanto, foi solicitada autorização ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) para pintura da cor do teto do cinema.

A programação do cinema deve ter enfoque no cinema brasileiro e no que é mais “pop”, segundo José Aragão, CEO do Viva do Brasil, mas ainda não foi definida a empresa que vai gerir o que será exibido nas sessões.

— A gente ainda não sabe quem vai ser a programadora desse espaço, mas o Paulo Barcellos (da O2 Filmes), que é um dos sócios do projeto e tem bastante experiência no audiovisual, tenho certeza que a gente vai chegar num nome bem bacana que saiba programar, primeiro, com foco no cinema nacional. Não tenho dúvida que esse espaço vai celebrar o cinema nacional, essa é uma das diretrizes, mas é um cinema para 440 pessoas, então serão filmes que, seja pelo evento que a gente vai criar ou sejam filmes populares, a gente vai ter essa sala sempre cheia. O pop vai permear muito, ser o fio condutor, mas a gente vai fazer leituras do que pode ser pop — falou.