Por Bruce WilliamPostado em 26 de outubro de 2026 John Lydon ajudou a transformar o punk rock em um fenômeno mundial quando assumiu os vocais dos Sex Pistols, em 1975.
Mas quem imagina que ele mantém alguma solidariedade especial com os artistas que participaram daquele movimento provavelmente não conhece muito bem o temperamento do cantor. Ao longo das décadas, o antigo Johnny Rotten distribuiu críticas contra praticamente todo mundo, incluindo músicos que ajudaram a construir a história do próprio punk, conforme falas resgatadas pela Far Out.
Um de seus alvos preferidos é o Green Day, banda que conquistou enorme sucesso comercial nos anos 1990 e 2000. Lydon nunca se mostrou particularmente impressionado com Billie Joe Armstrong e seus companheiros, que considera seguidores de uma fórmula criada por outros.
Em entrevista à rádio KZSC, em 2022, afirmou: "Adoro provocar o Green Day porque acho que tudo o que eles pegaram não veio deles mesmos. Entraram discretamente num gênero e depois passaram a dizer que era deles.
Não ouço nada nas músicas que fale realmente sobre suas experiências". O vocalista também acusou o grupo de ser excessivamente fabricado.
A antipatia vem de muito antes. Em 2006, Lydon reclamou que o Green Day havia demonstrado desrespeito aos Sex Pistols durante as discussões sobre a entrada do grupo no Rock and Roll Hall of Fame.
Na ocasião, afirmou que os músicos californianos tinham uma produção milionária e uma imagem cuidadosamente construída, mas se apresentavam como representantes da rebeldia punk. "São garotinhos ricos e bobos, maquiados e vestidos como punks.
Não conquistaram o direito de usar aquelas roupas", disparou. Os Ramones também não escaparam.
Embora o quarteto de Nova York seja reconhecido como um dos principais pioneiros do punk, Lydon já afirmou que considerava sua música pouco original. Sua implicância envolve principalmente o visual de jaquetas de couro e roupas padronizadas, que, segundo ele, acabou transformando o punk numa espécie de uniforme.
Para o cantor, aquilo contrariava a liberdade individual que deveria caracterizar o movimento. Outro nome que recebeu críticas foi Patti Smith.
Lydon não concorda com a importância frequentemente atribuída à cantora na origem do punk e rejeita a ideia de que o gênero tenha surgido exclusivamente na cena nova-iorquina. Para ele, artistas britânicos como T.
Rex, David Bowie, Slade, Mott the Hoople e The Sensational Alex Harvey Band tiveram uma influência decisiva que costuma ser ignorada. O vocalista considera injusto concentrar o crédito em Smith e nos músicos americanos.
O The Stranglers entrou na lista por um motivo diferente. Lydon até reconhecia qualidades nos discos do grupo, mas detestava suas apresentações.
Ao recordar uma ocasião em que Chrissie Hynde furou sua orelha no banheiro feminino de um pub enquanto a banda tocava, comentou: "Era uma banda terrível ao vivo, horrorosa. Bons discos, discos divertidos, mas no palco não funcionavam".
Segundo ele, não havia nada mais interessante para fazer naquela noite do que entrar no banheiro com um alfinete e uma barra de sabão. Já a rivalidade com o The Clash atravessou praticamente toda a história do punk britânico.
Em sua autobiografia "Anger Is an Energy", Lydon questionou o conteúdo das músicas do grupo e acusou Joe Strummer e seus companheiros de defenderem uma espécie de socialismo abstrato. Também criticou a maneira como incorporavam reggae e outras influências negras ao repertório.
Em outra ocasião, chegou a declarar ao The Guardian que ninguém se importava com o The Clash, embora o próprio cantor continuasse falando frequentemente sobre a banda. Curiosamente, Lydon também rejeita a ideia de que exista uma maneira obrigatória de ser punk.
Suas críticas normalmente giram em torno da autenticidade, da independência artística e da transformação do movimento numa imagem comercial. Se existe alguma coisa que ele preservou dos tempos de Johnny Rotten, é a disposição de provocar os outros - inclusive aqueles que, em teoria, deveriam estar do mesmo lado.
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