Cinco meses de bandeira tarifária acendem alerta para empresas que ainda gerenciam energia pela conta do mês

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Fonte da notícia: Valor Valor

Esperar a conta de luz subir para começar a discutir energia pode ser um erro caro para as empresas. Setembro começou com bandeira tarifária amarela, mantendo pelo quinto mês consecutivo uma sinalização de custos adicionais no sistema elétrico e reforçando uma questão que vai além dos R$ 1,885 cobrados a cada 100 kWh consumidos: quanto da estratégia energética das companhias ainda depende de decisões tomadas somente depois que a despesa aparece na fatura? Para consumidores empresariais, principalmente aqueles com operações intensivas em energia, a sucessão de bandeiras funciona como um lembrete de que o custo da eletricidade não é estático. Condições de geração, demanda do sistema, período do ano, contratos e perfil de consumo podem alterar a despesa e afetar diretamente margens e orçamento. É justamente por isso que Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, defende que a discussão sobre energia aconteça antes do fechamento da conta. "Quando a empresa percebe o problema apenas pela fatura, ela já está olhando para um custo que aconteceu. A gestão de energia precisa trabalhar com antecedência, identificando exposição, comportamento de consumo e oportunidades de contratação antes que uma mudança do mercado se transforme em impacto financeiro", afirma. A bandeira tarifária é um mecanismo criado para sinalizar mensalmente as condições de geração de energia no país. Quando os custos de produção aumentam, especialmente em períodos menos favoráveis para a geração hidrelétrica, são acionadas bandeiras com cobranças adicionais aos consumidores atendidos pelas distribuidoras. Para setembro, permanece vigente a bandeira amarela, com acréscimo de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos. Para uma pequena empresa, a diferença isolada pode parecer limitada. Em operações que utilizam centenas de milhares ou milhões de quilowatts hora ao longo do ano, no entanto, alterações sucessivas passam a ter peso relevante. O ponto, segundo Sozzi, não é prever qual será a bandeira de cada mês, mas estruturar a empresa para conviver com um ambiente no qual o custo da energia pode oscilar. Na prática, isso começa pela leitura do próprio consumo. Empresas frequentemente analisam apenas o valor final da conta, sem observar como a energia é utilizada ao longo do dia, quais unidades concentram a maior demanda, em quais períodos ocorrem os picos e se a estrutura contratada continua adequada à operação. Um segundo passo envolve contratos. Demanda contratada acima ou abaixo da necessidade real, condições negociadas há anos e mudanças no perfil de funcionamento da empresa podem gerar custos que permanecem escondidos dentro de uma despesa considerada habitual. Há ainda uma terceira dimensão: orçamento. Energia costuma aparecer nas projeções financeiras como repetição do histórico acrescida de uma estimativa de inflação ou reajuste tarifário. Para negócios nos quais a eletricidade representa uma parcela relevante dos custos, essa lógica pode ser insuficiente. "Projetar energia olhando apenas para o que foi gasto no ano anterior desconsidera uma série de variáveis. Uma empresa pode ter aumentado produção, mudado turnos, incorporado equipamentos, aberto unidades ou alterado contratos. O orçamento precisa refletir a operação que ela terá, não apenas a conta que teve", explica Sozzi. A discussão ganha importância justamente no segundo semestre, quando muitas companhias começam a estruturar orçamento, investimentos e metas para o ano seguinte. Nesse processo, energia pode ser tratada em diferentes frentes: eficiência operacional, revisão de demanda, renegociação contratual, migração ou adequação ao mercado livre, geração própria e outras estratégias, dependendo do perfil de cada consumidor. Não existe, porém, uma solução universal. Uma indústria com operação contínua tem uma dinâmica diferente de uma rede varejista, de um centro logístico ou de uma empresa com dezenas de unidades distribuídas pelo país. É essa diferença que determina onde está o maior potencial de economia e previsibilidade. Para Sozzi, a sequência de bandeiras tarifárias em 2026 ajuda a tornar visível um problema que já existia. "A bandeira chama atenção porque aparece destacada na conta, mas ela é só uma das variáveis. O risco maior é uma empresa continuar tratando energia como uma despesa inevitável e não como um custo que pode ser analisado, contratado e administrado. Quanto maior o consumo, mais importante é sair da lógica de reação e entrar na lógica de planejamento", conclui.

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