Cinco hábitos para ensinar educação financeira aos filhos desde cedo - QTU Questões do Universo

Cinco hábitos para ensinar educação financeira aos filhos desde cedo

Fonte: Bandeira da fonte

A educação financeira para filhos pode começar antes da primeira mesada e até ser ensinada por meio de situações comuns da rotina.
Para Ricardo Hiraki, administrador, CEO e cofundador da Plano Fintech, ensinar crianças a lidar com dinheiro não exige começar por investimentos, juros ou planilhas.
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Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, divulgada em 2025, mostra que 53% dos pais brasileiros começaram a conversar sobre finanças com as crianças antes dos 8 anos.

O levantamento, realizado com 1.112 responsáveis, também aponta que 41% consideram os primeiros anos do ensino fundamental o período ideal para iniciar esse aprendizado.
Para Hikari, a educação financeira infantil passa primeiro pela compreensão de que os recursos são limitados e de que decisões de consumo têm consequências
A discussão ganhou outra dimensão com a digitalização dos pagamentos.
Segundo a pesquisa da Serasa, 73% das crianças e dos adolescentes tiveram acesso ao primeiro cartão ou conta antes dos 15 anos, enquanto 39% já utilizam Pix e 28% recebem mesada por Pix, conta digital ou cartão.
Para o especialista em planejamento financeiro familiar, a facilidade de pagar por meios digitais — principalmente aproximação do cartão ou celular — também exige atenção: a saída do dinheiro pode se tornar menos perceptível para uma criança — como se aquele dinheiro não existisse.
“Mostrar o saldo antes e depois de uma compra é uma maneira simples de ensinar educação financeira para filhos e explicar que aquele valor saiu da conta.
A tecnologia facilita o pagamento, mas os pais precisam ajudar as crianças a entender o que acontece por trás da operação”, explica Hiraki.
Cinco atitudes que transformam dinheiro em aprendizado
Dê um limite para pequenas escolhas: Defina um valor e permita que a criança escolha como usá-lo.
A prática ajuda a entender que o dinheiro é limitado e exige prioridades;
Compare preços juntos: No supermercado ou em uma compra online, mostre produtos semelhantes e seus preços.
A comparação introduz de forma simples a ideia de consumo consciente;
Transforme um desejo em meta: Ajude o filho a pesquisar quanto custa algo que deseja e quanto precisa guardar.
Assim, ele aprende sobre planejamento, poupança e espera;
Mostre que escolher exige renunciar: Explique que gastar um valor hoje pode significar abrir mão de outra compra depois.
O objetivo é ensinar a fazer escolhas, e não simplesmente gastar menos;
Inclua os filhos nas decisões: Lista de compras, passeios e pequenas despesas familiares podem virar oportunidades para falar sobre dinheiro, orçamento e prioridades.
Mesada ajuda mas não precisa ser o primeiro passo
Um estudo publicado em 2026 na revista Estudos Econômicos, da Universidade de São Paulo, analisou dados de cerca de 38 mil adolescentes de 15 anos participantes da avaliação de alfabetização financeira do Pisa, identificando um desempenho ligeiramente superior entre jovens que recebiam mesada sem a obrigação de cumprir tarefas em troca do dinheiro.
“Dar dinheiro sem conversar sobre escolhas não resolve o problema.
Educação financeira para filhos envolve permitir pequenas decisões e também lidar com as consequências delas.
Se a criança gastar todo o valor nos primeiros dias, por exemplo, essa experiência pode ensinar mais do que os pais simplesmente completarem o dinheiro que acabou”, afirma Hikari.
Para o especialista em educação financeira, ensinar crianças a lidar com dinheiro não significa formar filhos que evitem qualquer gasto.

O objetivo é desenvolver desde cedo a capacidade de compreender consumo, poupança, orçamento e planejamento.
Quando esses conceitos entram naturalmente na rotina familiar, a primeira mesada deixa de ser o ponto de partida e passa a ser mais uma etapa do aprendizado financeiro.