Cinco dos dez bairros brasileiros com mais moradores em apartamentos ficam no Rio; Barra da Tijuca lidera ranking carioca

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Cinco dos dez bairros brasileiros com mais moradores em apartamentos ficam no Rio de Janeiro. A informação integra um levantamento do perfil Urbanófilo, feito com base em dados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao todo, 2,22 milhões de pessoas vivem nesse tipo de habitação na capital fluminense, onde a campeã na categoria é a Barra da Tijuca. Cristo Redentor: Igreja planeja campanha entre fiéis para construir Via Sacra, como fez para erguer monumento

‘Se um dia eu morrer, quero estar fardado’: ex-mulher relembra frase de subtenente do Bope morto em Jacarepaguá A líder no ranking municipal tem 131.766 moradores em apartamentos.

Em todo o país, só fica atrás do Plano Piloto, em Brasília, dono da maior população nacional nesse quesito: 173.262. No Rio, é seguida por Copacabana, na Zona Sul (112.868 pessoas); Tijuca, na Zona Norte (109.556); Recreio dos Bandeirantes (108.830) e Jacarepaguá (103.316), ambos também na Zona Sudoeste.

Ninguém em Grumari Quando o recorte é por número de unidades, porém, a ordem muda.

Copacabana tem 57.650 apartamentos, contra os 55.995 da Barra da Tijuca. Em média, enquanto cada unidade da Barra abriga 2,35 moradores, em Copacabana o valor é de 1,96.

O estudo traz outras curiosidades: Grumari e Gericinó não registram moradores em apartamentos. Já o Joá tem apenas oito residentes nessa modalidade; a Cidade Universitária, 47, e Barra de Guaratiba, 124.

Veja os bairro do Rio com o maoir número de moradores em apartamento Editoria de Arte

De acordo com Bruno Perez, gerente de planejamento do Censo Demográfico do IBGE, os moradores de apartamentos representam 36% da população do Rio. Em 2022, a cidade era a quinta entre as capitais brasileiras com maior proporção de habitantes vivendo nesse tipo de moradia, atrás de Vitória, Porto Alegre, Florianópolis e João Pessoa.

— Em 2010, 32,6% da população do Rio de Janeiro residia em apartamentos. Portanto, em 12 anos, houve uma elevação de 3,4 pontos percentuais.

Esse crescimento, no entanto, foi menor do que o registrado nas demais capitais das regiões Sul e Sudeste. Ou seja, nessas capitais, a proporção da população vivendo em apartamentos subiu mais rapidamente do que no Rio de Janeiro — afirma Perez.

O analista destaca que os apartamentos costumam ser ocupados por menos pessoas do que as casas. No Rio, as casas habitadas tinham, em 2022, uma média de 2,7 moradores, enquanto os apartamentos registravam 2,3.

Para Perez, a expansão desse tipo de moradia acompanha mudanças demográficas, como a redução da fecundidade e o crescimento dos domicílios unipessoais e daqueles formados por casais sem filhos. Da orla às passarelas: agente encontra talento na areia de Ipanema e transforma ambulante senegalês em aposta da moda

A concentração de moradores em apartamentos em determinados bairros, contudo, reflete um processo de urbanização desigual. Para o historiador Rafael Soares Gonçalves, professor da PUC-Rio, essa distribuição está ligada à trajetória do mercado imobiliário carioca, que se concentrou em áreas estratégicas pela localização, pela oferta de serviços e pelo potencial de valorização.

— O Rio de Janeiro tem certa concentração em áreas muito específicas. Não é uma área tão espalhada pelo interesse do mercado imobiliário como a gente pode imaginar em São Paulo — avalia.

Rio que mora na Barra A expansão em direção à Barra marcou uma nova etapa do processo de verticalização.

A partir da década de 1970, o projeto urbanístico elaborado por Lúcio Costa ajudou a estabelecer um padrão de ocupação diferente daquele dos bairros mais antigos, com empreendimentos de maior porte e áreas internas destinadas aos moradores. O Recreio dos Bandeirantes seguiu caminho semelhante.

A Barra da Tijuca é o maior bairro no número de pessoas morando em apartamento na cidade Custodio Coimbra/Agência O Globo

Vanessa Moreira, de 48 anos, trocou a Tijuca pela Barra em 2011, quando decidiu morar com o atual companheiro. Inicialmente, o casal procurava um apartamento perto do metrô, mas os preços e as metragens disponíveis fizeram com que a busca fosse ampliada.

Na época, ela trabalhava na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e passava boa parte do dia no deslocamento entre casa e trabalho. A oferta de transporte para os moradores do condomínio acabou pesando na decisão de se mudar para a Barra.

— O meu marido usa o ônibus do condomínio para ir e voltar do trabalho, eu usei bastante quando trabalhava na Uerj, e hoje o meu filho usa para ir e voltar da escola. Mobilidade não é um problema — diz a designer.

Com o passar dos anos, outros aspectos da vida no condomínio ganharam importância. A segurança, que não estava entre suas principais preocupações, passou a pesar mais depois do nascimento do filho, em 2015.

Os espaços de lazer e a estrutura oferecida pelo empreendimento também contribuem para que ela permaneça no bairro. Relações de convivência

Para Rafael Gonçalves, a concentração de áreas de lazer e serviços dentro dos condomínios transforma as relações de convivência. Embora ofereça comodidade, esse modelo pode reduzir a necessidade de frequentar espaços públicos e de estabelecer relações com pessoas de fora.

Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ), aponta outra questão: a especulação imobiliária contribuiu para uma expansão que ultrapassou as previsões iniciais, com edifícios de grande porte e alta concentração de moradores. — A Barra era um bairro planejado, mas, por conta da especulação imobiliária acelerada, o resultado acabou sendo o que é hoje: crescimento desordenado, além da previsão inicial, com prédios enormes e muitos moradores — explica.

Para Menezes, o desafio é fazer com que a verticalização seja acompanhada pela ampliação da infraestrutura pública. O “milagre” da multiplicação dos edifícios, além de transformar a paisagem urbana, exige planejamento para garantir condições adequadas de vida aos moradores.

*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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