Uma equipe internacional de cientistas registrou a fotografia de maior resolução da superfície solar já produzida e identificou um "processo solar oculto".
A imagem foi obtida pelo Telescópio Solar Inouye, localizado em Maui, no Havaí, nos Estados Unidos.
A descoberta foi divulgada na manhã desta quarta-feira (5).
Segundo o anúncio oficial, ela “pode mudar fundamentalmente a forma como entendemos os mecanismos físicos que impulsionam a atividade solar e seus impactos na vida na Terra”.
Além da imagem, os cientistas produziram um vídeo em time-lapse que revela uma paisagem solar “diferente de qualquer outra já vista”, marcada por pequenos redemoinhos dinâmicos espalhados por toda a superfície do Sol.
A partir dos registros, os pesquisadores conseguiram identificar pela primeira vez no Sol a Instabilidade de Kelvin-Helmholtz (KHI), fenômeno cuja ocorrência no astro permanecia apenas no campo teórico.
Uma imagem da superfície solar capturada pelo Telescópio Solar Inouye com uma resolução espacial sem precedentes de ~19 km.
Painéis com zoom revelam as primeiras observações de padrões de instabilidade de Kelvin-Helmholtz na superfície solar.
NSF/NSO/AURA/MPS
Para David Boboltz, diretor-adjunto do Observatório Solar Nacional, a descoberta representa um avanço nas pesquisas sobre o Sol: “É um grande passo em frente na nossa compreensão da dinâmica e evolução do plasma solar e estelar, e servirá de base para futuras descobertas”.
O que é a Instabilidade de Kelvin-Helmholtz?
Teorizada por Lord Kelvin e Hermann von Helmholtz na década de 1870, a Instabilidade de Kelvin-Helmholtz é um fenômeno que ocorre quando dois fluidos se deslocam um sobre o outro em velocidades diferentes.
Essa interação provoca deformações na superfície entre os fluidos e pode fazer com que pequenas perturbações se transformem em vórtices semelhantes a ondas quebrando no oceano.
Segundo o observatório: “A instabilidade é observada em diversas escalas, desde pequenas ondas em lagos e oceanos (em condições de vento) e formações de nuvens na Terra, até as atmosferas de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno, e a interação do vento solar com as magnetosferas planetárias dentro do nosso sistema solar”.
A imagem de mais alta resolução da superfície do Sol (fotosfera) já capturada, obtida em 416 nm pelo Telescópio Solar Inouye.
Ela revela limites deformados de elementos magnéticos e faixas em escala ultrafina, ambos associados à instabilidade de Kelvin-Helmholtz.
NSF/NSO/AURA/MPS
Os cientistas acreditam que esses vórtices podem ser uma fonte de energia magnética responsável por alimentar parte da atividade solar, incluindo eventos como erupções e ejeções de massa coronal, chamadas de EMCs.
Esses fenômenos podem provocar tempestades na Terra.
A hipótese é que a energia seja gerada pelo entrelaçamento das linhas magnéticas — em um processo semelhante ao de trançar o cabelo — provocado pela KHI.
Essa energia seria liberada quando as 'linhas magnéticas' se rompem.
Segundo Friedrich Wöger, Cientista Sênior do Observatório Solar Nacional, ainda estamos tentando entender o que o KHI significa para o Sol: "Estamos apenas no início da compreensão do amplo impacto que a descoberta da instabilidade de Kelvin-Helmholtz tem sobre a conexão entre o movimento do plasma magnetizado e o transporte e liberação de energia na alta atmosfera solar".
Cientistas registram a imagem mais detalhada da superfície do Sol da história
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