Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirmaram terem criado uma molécula que foi capaz de eliminar um tipo de linfoma agressivo em ratos em apenas 11 dias.
Indo viajar no feriado? Confira os 7 itens mais esquecidos por hóspedes em hotéis Rock in Rio: órgãos apresentam esquema especial para festival, que terá público de 100 mil por dia e muda rotina da cidade Separada de Scooby, Cintia Dicker reassume posto de musa no carnaval: 'Honrada' Segundo a pesquisa, a molécula redireciona uma das proteínas mais comuns responsáveis pelo linfoma de células B para a ativação da morte celular. Quando realizado duas vezes ao dia, o tratamento conseguiu eliminar o tumor em menos de duas semanas. “Estamos tentando, essencialmente, combater o câncer em sua causa — eliminando a força motriz do câncer e reprogramando-a para ativar mecanismos de morte celular”, disse Gerald Crabtree, professor de Patologia e de Biologia do Desenvolvimento, ao SciTechDaily Eles afirmam utilizar uma estratégia que vêm sendo desenvolvida há alguns anos, que consiste em, em vez de simplesmente bloquear uma proteína causadora de câncer, eles criam uma pequena molécula que a conecta fisicamente a outra proteína capaz de ativar o programa de autodestruição da própria célula. BCL6 mantém as células do linfoma vivas No caso do estudo, publicado no periódico Cell, os cientistas focaram no linfoma difuso de grandes células B, o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer no sangue, que é frequentemente impulsionado por uma proteína chamada BCL6. Essa proteína funciona desativando os genes que normalmente interrompem o crescimento ou desencadeariam a morte celular, um processo natural do corpo, dando tempo para as células se multiplicarem durante uma resposta imune. Só que, no caso de um câncer, essa proteína fica “ativada”, suprimindo continuamente os genes da morte celular e permitindo que as células malignas se multipliquem sem controle. O objetivo dos pesquisadores, nesse caso, não era apenas remover essa supressão, mas também para aumentar ativamente a expressão dos genes que matam a célula. TCIP3 ativa genes “assassinos” Foi com esse pensamento que eles chegaram na molécula TCIP3, que reúne a proteína BCL6 com proteínas que podem reverter sua atividade promotora do câncer: “Um lado se liga ao BCL6”, explicou Meredith Nix, estudante de graduação que participou do estudo. “O outro lado se liga a uma das duas proteínas chamadas P300 e CBP, que adicionam marcadores químicos chamados marcas de acetil em proteínas próximas”. Quando a BCL6 recebe essas marcas de acetil, ela fica incapaz de suprimir os genes envolvidos na morte celular, mas, ao mesmo tempo, a molécula é capaz de reativar a expressão desses genes: “É por isso que conseguimos obter compostos realmente potentes”, disse Nix. Tumores desapareceram em 11 dias Para testar a nova molécula, os pesquisadores implantaram células de linfomas humanas em roedores, deixando o tumor se desenvolver antes de os medicarem com a TCIP3 duas vezes ao dia. “Após 11 dias, os tumores que haviam sido tratados com TCIP3 desapareceram completamente, enquanto os tumores nos animais do grupo de controle permaneceram”, disse Nix. Além disso, os animais não mostraram sinais de intoxicação, nem os seus exames de sangue detectaram qualquer aumento nos sinais de inflamação. A TCIP3 também se mostrou promissora no tratamento de algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide e miastenia grave, levando os pesquisadores a sugerir que moléculas semelhantes ao TCIP3 poderiam eventualmente ser úteis contra essas doenças. Embora testes clínicos ainda estejam longe de acontecer, essa nova estratégia — moléculas bivalentes, ou de duas cabeças, para redirecionar, em vez de simplesmente inibir, uma proteína que impulsiona o câncer — têm se mostrado cada vez mais promissoras. “Essa pode ser uma abordagem poderosa para combater outros supressores da morte celular ou fatores de transcrição que controlam genes que queremos ativar no câncer”, disse Nix.
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