Cientistas afirmam que cometa 3I/ATLAS ajuda a entender início da galáxia; entenda

 

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Observações de cientistas analisaram que o cometa 3I/ATLAS, que ganhou foco das notícias de ciência no mundo em 2025, possui mais de 10 bilhões de anos e, com isso, traz registros do passado da galáxia.

A conclusão está em um estudo publicado na revista Nature Astronomy no final de abril.

Entre as informações estão de que o objeto foi criado em uma área longe do sistema solar. E ele é apenas o terceiro corpo fora do sistema a passar pela região em que se encontra o planeta Terra.

Os pesquisadores fizeram o estudo usando o telespecópio ALMA, no Chile, em novembro do último ano, enquanto o cometa passava próximo ao sol. Ele saiu do sistema solar a partir do final de 2025.

Com as observações do radiotelescópio, os cientistas perceberam que era a primeira vez que um isótopo de hidrogênio foi encontrado em um objeto fora da atmosfera terrestre.

'O deutério é geralmente encontrado na água dos cometas do sistema solar e nos oceanos da Terra na forma de água deuterada, HDO, também chamada de água semi-pesada', afirmou à rede de TV americana CNN o autor principal do estudo, Luis Eduardo Salazar Manzano.

Segundo ele, as observações mostram que a 'abundância de deutério na água do cometa 3I/ATLAS é mais de 40 vezes maior que o valor encontrado nos oceanos da Terra e mais de 30 vezes maior que o valor encontrado em cometas do Sistema Solar'.

A água chamada de deuterada é diferente da tradicional, conhecida pelos dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Nela, cada atómo de hidrogênio só possui um nêutron, fazendo com que essa água seja mais pesada.

Partículas de água encontrada em cometa e na Terra.

NSF/AUI/NSF NRAO/M.Weiss/mweiss@nrao.edu/NSF/AUI/NSF NRAO/M.Weiss

Como o 3I/ATLAS possuía muita água deuterada, isso traria indícios de onde ele se formou.

'O enriquecimento em deutério geralmente ocorre quando a água se forma em nuvens moleculares frias no espaço interestelar, o que geralmente acontece na mesma época em que os sistemas solares ao redor de outras estrelas se formam', seguiu o astrônomo.

As características analisadas sobre o sistema em que o cometa se formou era de que era extremamente frio, mais do que o sistema solar durante sua formação. Eles acreditam que a temperatura estava em -243,14 graus Celsius.

Sua formação ocorreu por conta de um disco protoplanetário de gás e poeira que girava em torno da estrela. De acordo com os cientistas, é o mesmo em que planetas se formam.

O uso do radiotelescópio também foi fundamental no estudo já que foi possível detectar particular no momento da chegada mais próxima ao sol, em 203 milhões de quilômetros. Com isso, o gelo presente nele se sublimou, gerando gases que são detectáveis.

Apesar do tipo de água visto, o H20 não foi localizado.

'Isso não significa que 3I/ATLAS não tivesse água comum; significa apenas que estava abaixo da sensibilidade de nossas observações. No entanto, tivemos uma grande surpresa quando percebemos que havíamos detectado água deuterada, apesar de não termos detectado água comum, o que nos indicou imediatamente que 3I/ATLAS era um objeto verdadeiramente incomum', finaliza.

3i/ATLAS.

International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/B. Bolin