EUA – Algo parecido com o que acontece no filme Matrix deve se passar na cabeça de um rato. Pelo menos essa é uma das hipóteses de cientistas que estudaram o comportamento desses animais diante de situações em que observam outros ratos brigando.
Um projeto pretende investigar como a observação de ratos machos brigando altera seu interesse em relação a cada um dos lutadores. (Foto: Reprodução/Nikolett Emmert/Unsplash)
Neurocientistas descobriram que ratos machos que apenas observaram outros machos lutando se mostraram lutadores mais bem preparados, sem serem mais agressivos ou cruéis do que os demais ratos. Seus cérebros também sofreram alterações semelhantes às dos ratos com experiência real em lutas.
É nesse momento que o filme estrelado por Keanu Reeves pode ter a resposta para os cientistas. Em uma cena clássica, o personagem principal Neo abre os olhos após ter tido seus conhecimentos de vários estilos de luta transferidos para o seu corpo e diz: “Eu sei kung fu”.
Passando para a experiência científica: os pesquisadores já conhecem os padrões de atividade cerebral que mudam durante a observação de confrontos agressivos. Agora, querem verificar se a indução artificial desse mesmo padrão de atividade cerebral em um rato não treinado pode conferir a ele os mesmos circuitos e mudanças comportamentais que surgem da aprendizagem por observação.
“Eles estão mais ou menos no meio do caminho entre os lutadores realmente experientes e os animais ingênuos”, disse Annegret Falkner, professora assistente de neurociência em Princeton e autora sênior do artigo publicado na Nature. “Há algo na experiência que te leva até lá, mas a observação te leva numa direção semelhante, porém apenas até a metade do caminho”, acrescentou.
Os resultados do estudo também podem indicar como a exposição a experiências violentas pode moldar a forma como as pessoas reagem a ameaças. Embora não esteja claro como isso se aplicaria a humanos, pelo menos em ratos, a exposição não tornou nenhum animal mais violento, apenas mais preparado.
“Acho que isso sugere que, se você foi exposto a muita violência, pode ter sofrido alterações nos circuitos cerebrais que criam estados comportamentais que podem ser adaptativos em uma situação violenta, mas provavelmente não são adaptativos em uma situação normal”, disse Falkner.
“Tenho a impressão de que algumas dessas alterações nos circuitos são conservadas em camundongos e humanos.”
D24am