Cidade de Drummond recebe festival literário com Bial e Conceição Evaristo

Cidade de Drummond recebe festival literário com Bial e Conceição Evaristo - Foto
Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

Belo Horizonte — A cidade de Itabira, na Região Central de Minas Gerais, conhecida por ser a terra natal do poeta Carlos Drummond de Andrade, recebe, a partir desta quinta-feira (29/10) até domingo (1º/11), a 6ª edição do Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira). O evento reúne nomes como Conceição Evaristo, Pedro Bial, Rita von Hunty, Fabrício Carpinejar, Geni Núñez e José Miguel Wisnik, além de dezenas de outros escritores.

Toda a programação é gratuita. O festival faz parte de um circuito de eventos literários que também inclui o Fliaraxá, em Araxá (MG), o Fliparacatu, em Paracatu (MG), e o Flipetrópolis, em Petrópolis (RJ).

Todos nasceram do projeto Sempre um Papo, criado há 40 anos em Belo Horizonte para aproximar escritores e leitores. Em entrevista ao Metrópoles, o idealizador do Flitabira explicou que, embora os festivais tenham a mesma origem, cada um possui sua própria programação e características ligadas à cidade onde acontecem.

“Cada festival tem sua identidade, sua relação com a cidade e sua própria programação. O que os une é uma concepção de cultura: entrada gratuita, diversidade de vozes, acessibilidade, valorização dos autores brasileiros e diálogo entre literatura e outras expressões artísticas.

Não queremos simplesmente organizar eventos literários. Queremos que a literatura participe da vida das cidades”, explicou o curador Afonso Borges.

A relação entre Drummond e sua cidade natal é um dos principais motivos para a realização do festival.  “Itabira ocupa um lugar singular na geografia literária brasileira. É impossível ler Drummond sem encontrar a cidade, suas montanhas, suas ruas, sua gente e suas contradições.

Ele transformou uma experiência profundamente local em literatura universal”, disse. Um post compartilhado por Flitabira (@flitabira)

Contudo, a proposta era criar um festival que valorizasse essa importância, mas que não ficasse restrito à memória de Drummond. “Itabira não pode ser apenas a cidade onde Drummond nasceu.

Precisa ser também uma cidade onde a literatura esteja viva, onde crianças e jovens tenham acesso aos livros, onde novos escritores possam surgir e onde a cultura seja reconhecida como parte da identidade e do futuro do município”, explicou. Por isso, a participação das escolas, aos concursos de redação e desenho, aos artistas e empreendedores locais e ao Flitabira da Gente é importante para a realização do encontro.

“A literatura precisa ultrapassar os limites das mesas de debate e alcançar a vida cotidiana”, disse. Com o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, a sexta edição do Flitabira celebra os 75 anos de Claro Enigma, livro de poemas publicado por Carlos Drummond de Andrade em 1951.

“É um convite para pensar as grandes questões do nosso tempo a partir da literatura, da poesia e da experiência humana”, disse o curador. A programação inclui debates sobre literatura, apresentações artísticas, exposições, sessões de autógrafos e atividades para crianças.

Um dos destaques será no sábado (31/10), data de nascimento de Drummond, quando o músico e escritor José Miguel Wisnik e o cantor e compositor Kristoff Silva participam de um encontro dedicado ao poema A Máquina do Mundo, uma das obras mais conhecidas do poeta. “Também teremos a pré-estreia de Claro Enigma, espetáculo do Grupo de Dança Primeiro Ato que transforma a Língua Brasileira de Sinais em linguagem coreográfica.

É uma proposta artística que considero especialmente bonita porque faz da acessibilidade parte da própria criação”, disse. Além dos nomes já citados, o festival terá a participação de Geraldo Carneiro, Marcelino Freire, Carla Akotirene, Sérgio Abranches, Ricardo Aleixo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello.

Nesta edição, o Flitabira homenageia três mulheres: a escritora Conceição Evaristo, a editora Maria Mazzarello e a pesquisadora Leda Maria Martins.  “São trajetórias diferentes, mas profundamente conectadas pela luta contra o racismo e pela afirmação da cultura negra”, explicou.

Conceição Evaristo, que completa 80 anos em novembro, é uma das escritoras brasileiras mais reconhecidas da atualidade. “E há uma razão muito especial para homenageá-la em Itabira: sua ligação com Dona Rosinha e com o Quilombo Morro Santo Antônio.

Conceição escreveu o prefácio do livro Memórias do meu Quilombo, de Dona Rosinha. É uma relação que aproxima a grande literatura brasileira das histórias e das vozes da própria cidade”, contou.

Já Maria Mazzarello fundou a Mazza Edições, editora que ajudou a abrir espaço para escritores negros em uma época em que esses autores tinham poucas oportunidades de publicação. “Costumo dizer que não basta escrever um livro: é preciso que ele encontre uma editora, chegue às livrarias e seja lido.

Maria Mazzarello dedicou sua vida a tornar isso possível”, acrescentiu o curador. Leda Maria Martins, por sua vez, é reconhecida por seus estudos sobre memória, ancestralidade e manifestações culturais.

“Ela ampliou nossa compreensão do que é literatura e das diferentes maneiras pelas quais uma sociedade produz e transmite conhecimento”, disse. As três participam, no sábado (31/10), de uma conversa intitulada “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, mediada pelo organizador do festival.

Depois de receber cerca de 30 mil visitantes em 2025, a organização espera repetir ou superar esse número neste ano. Na edição passada, o Flitabira realizou 37 debates, contou com a participação de 63 autores e registrou a venda de aproximadamente cinco mil livros.

Além dos encontros com escritores, o público poderá visitar a exposição Autorretratos de Drummond, a Livraria do Flitabira e a Central de Autógrafos. A programação também inclui atividades para crianças, o Prêmio de Redação e Desenho e o Flitabira da Gente, espaço dedicado a artistas, artesãos e empreendedores locais.

“Nossa expectativa é alcançar novamente esse patamar de público e, se possível, superá-lo. Mas não medimos o sucesso apenas pela quantidade de visitantes.

Queremos ampliar o acesso à leitura, especialmente entre crianças e jovens. Tudo será gratuito, com transmissão das mesas pelo YouTube e recursos de acessibilidade.

Isso é essencial para nós: a literatura precisa estar ao alcance de todos”, disse. 6º Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira)

Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026 Local: Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e entorno, em Itabira (MG) Entrada: Gratuita Tema: “A Máquina do Mundo em Nós” Transmissão: YouTube (@flitabira), com recursos de acessibilidade

Publicação Original Metropoles metropoles.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →