Cidade de Diamantina lança circuito gastronômico inspirado nas cozinhas tropeira e garimpeira
Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, acaba de transformar sua tradição culinária em roteiro estruturado. A cidade histórica mineira, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, lançou seu primeiro Circuito Gastronômico, reunindo 15 estabelecimentos que traduzem, em pratos, duas matrizes identitárias locais: a cozinha tropeira e a garimpeira.
A proposta, desenvolvida com apoio do Sebrae, busca valorizar receitas ligadas ao cotidiano de viajantes e garimpeiros, marcados pelo uso de ingredientes regionais. O resultado é um panorama que combina tradição e releituras contemporâneas, tendo como base produtos do território e modos de preparo herdados entre gerações.
Entre os destaques estão o chamado “bambá de garimpo” — angu mole com costelinha prensada —, o queijo artesanal Braúnas, conhecido pela acidez característica, e o bolo de arroz, receita secular reconhecida como patrimônio cultural. Pratos clássicos da culinária das Gerais também ganham novas interpretações, como o frango com quiabo, rebatizado na região como xico angu, preparado com angu de milho verde
Xico Angu, uma das tipicidades dessa região mineira, uma releitura do frango com quiabo
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Outro ponto central da rota é o Mercado Velho, que concentra atividades como aulas-show, exposições e degustações. Considerado um dos principais polos do circuito, o espaço reúne produtores e cozinheiros que traduzem a diversidade da culinária local em receitas tradicionais e criações autorais.
Além da comida, o circuito incorpora uma rota dedicada a produtos locais como queijos, cervejas e vinhos, explorando o potencial da região para a produção vitivinícola, favorecida pela amplitude térmica entre dias quentes e noites frias. "A proposta não é competitiva, mas colaborativa. A ideia é integrar saberes, fortalecer produtores e posicionar Diamantina como destino gastronômico", resume o chef Michel Abras, responsável pela pesquisa que deu origem à ideia do Circuito, elaborada junto com o chef Max Jaques, consultor do Sebrae e coautor da metodologia aplicada junto aos chefs em Diamantina.
Ao reunir tradição e inovação, o circuito reforça uma característica marcante da culinária mineira — a capacidade de preservar o passado enquanto se reinventa no presente.
