Ciclistas denunciam ocupação irregular de ciclofaixas e cobram mais fiscalização em Belém
Ciclistas continuam reclamando das irregularidades cometidas nas ciclofaixas de Belém. Há poucos dias, viralizou a cena de um ciclista carregando uma bicicleta como forma de denunciar a ocupação irregular do espaço reservado para quem pedala pela cidade. Para encurtar caminho, condutores de motocicletas e de veículos de passeio invadem as ciclofaixas, colocando em risco os ciclistas. A cena é comum, por exemplo, na avenida João Paulo II, no sentido da avenida Doutor Freitas, no bairro Curió-Utinga. Foi o que constatou a reportagem de O Liberal na manhã chuvosa desta segunda-feira (16).
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Rafael Santos, 39 anos, que trabalha com mármore e granito, contou que a ocupação da ciclofaixa por motociclistas é frequente no local. “É um problema crônico aqui. Isso vem desde que fizeram essa ciclovia, já vem de anos e anos”, afirmou. Segundo ele, a situação prejudica quem utiliza a bicicleta diariamente. “O motoqueiro não respeita a ciclovia. A gente vai de bicicleta e o cara vem atrás apitando porque quer passar, quer que a gente, que é ciclista, dê prioridade para ele. Acho que precisa mais fiscalização”, disse.
Rafael também destacou que raramente observa agentes fiscalizando o trecho. “É raro você ver fiscalização nesse perímetro aqui da João Paulo até lá no final, próximo de um supermercado, já em Canudos. Precisa muito de fiscalização do órgão público”, acrescentou. Ele contou que a atenção precisa ser redobrada para evitar acidentes, principalmente por causa das condições da via. “Tem buraco, tem mudanças no trânsito por causa de obras, colocaram retorno ali. O trânsito começa cedo, desde sete ou oito horas da manhã, e vai embora assim, terrível. A gente sempre acaba sendo prejudicado”, contou.
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Em dias de chuva, como nesta segunda-feira, a situação se torna ainda mais complicada. “Fica mais complicado ainda. O trânsito fica pesado, atenção é redobrada”, disse. Apesar dos riscos, Rafael afirmou que nunca sofreu acidente no local, mas presencia ocorrências com frequência. “Até o momento nunca sofri um acidente, mas praticamente todo dia a gente vê acidente nessa ‘João Paulo’. É ciclista, é motoqueiro”, contou.
Outro ciclista que passou pelo local foi o pedreiro Sílvio Beckmann, de 58 anos. Ele também relatou a presença constante de motocicletas na ciclofaixa. “É o tempo todo assim. Pode ver como eles estão andando aí no meio da gente. Tem que ter o maior cuidado”, afirmou. Enquanto ele circulava pela ciclofaixa havia um condutor de moto logo atrás da bicicleta dele.
De acordo com Sílvio, os motociclistas não respeitam o espaço reservado para bicicletas. “Não respeitam. A gente tem que ir direto, no certo, porque, se vacilar, a moto bate. Todo cuidado é pouco”, disse. Sílvio acredita que a situação poderia melhorar com maior fiscalização. “Tem que mudar muita coisa aí. Fiscalização. Tem vezes que nós estamos na pista certa e eles entram no meio da gente de moto. Parece que o ciclista é que está errado”, afirmou. Assim como Rafael, ele disse que ainda não sofreu acidentes no local. “Ainda não. Graças a Deus”, completou.
Na avenida José Bonifácio, no Guamá, espaço destinado aos ciclistas é ocupado, principalmente, por veículos (Foto: Carmem Helena | O Liberal)
"Não tem como pedalar”, disse cabeleireira
Já na avenida José Bonifácio, próximo ao Complexo do Guamá, a ciclofaixa é ocupada por carros de passeio e por veículos que descarregam mercadorias. Por essa razão, o ciclista precisa desviar, indo para o leito da rua, o que torna arriscada a circulação por essa área. A ciclista Gleiciane Freitas, cabeleireira de 47 anos, contou que, em alguns momentos, prefere descer da bicicleta para evitar riscos. Sem espaço na ciclofaixa, ela atravessou um trecho da avenida empurrando a bicicleta.
“Esse problema não é de hoje. Se a gente não descer da bicicleta para se desviar do carro, o carro vai bater na gente. Então, para minha segurança, eu prefiro descer e atravessar empurrando”, disse. Segundo ela, o espaço destinado aos ciclistas acaba sendo ocupado por veículos estacionados. “O espaço é feito para nós, ciclistas, mas os carros tomam de conta. Vira um acostamento para os carros”, afirmou.
Para Gleiciane, não há outra alternativa para garantir a segurança além de descer da bicicleta. “Não existe outro cuidado, a não ser descer da bicicleta e vir andando. Porque não tem como pedalar”, contou. Ela também defendeu mais fiscalização por parte das autoridades. “Tem que ver como vai ficar a nossa situação. Se a gente falar alguma coisa, parece que a gente não tem direito. Mas a gente sabe do nosso direito. Assim como o veículo tem o direito dele, nós, como ciclistas, também temos o nosso direito”, afirmou. Segundo ela, o problema mais comum é a presença de carros de passeio e veículos pesados. A cabeleireira disse que o problema se intensifica em determinados dias da semana. “Hoje (segunda-feira), está tranquilo. Mas, geralmente, a partir da sexta-feira, quando chegam mercadorias para os comércios, isso aqui vira um estacionamento. No sábado também é um caos. Não tem como pedalar”, acrescentou.
A ciclista Gleiciane Freitas contou que prefere descer da bicicleta para evitar riscos (Foto: Carmem Helena | O Liberal)
Ciclovia
É um espaço totalmente separado das outras vias, de circulação exclusiva de ciclistas. Essa separação do tráfego dos demais veículos ocorre fisicamente. Quanto ao sentido de tráfego, a ciclovia pode ser unidirecional (quando apresenta sentido único de circulação) ou bidirecional (sentido duplo de circulação).
Ciclofaixa
Espaço delimitado na própria pista (junto com os demais veículos), calçada ou canteiro, exclusiva aos ciclistas. Pode ser implantada no mesmo nível da pista de rolamento (ou da calçada ou do canteiro). Da mesma forma que a ciclovia, a ciclofaixa pode ser uni ou bidirecional.
Fonte: Portal do Trânsito
