Ciclista ficou 82 minutos desaparecida após queda fatal em Mundial; investigação descarta negligência

 

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A morte da jovem suíça Muriel Furrer, de 18 anos, durante o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada de 2024, em Zurique, expôs uma falha crítica de monitoramento na prova: a atleta só foi localizada 82 minutos após sofrer o acidente. A investigação conduzida pelo Ministério Público local concluiu que não houve negligência ou conduta criminosa por parte dos organizadores, mas detalhou uma sequência de fatores que impediram o resgate imediato.

Mundial de ciclismo: ciclista suíça de 18 anos morre após sofrer queda grave durante competição

Furrer saiu da pista em um trecho molhado do percurso júnior, de 73,5 km, por volta das 11h04. A queda ocorreu em uma área arborizada, fora do campo de visão de fiscais, veículos de apoio e espectadores. Escondida pela vegetação, a ciclista não foi vista nem teve sua ausência prontamente percebida. Segundo os investigadores, o desaparecimento não foi comunicado automaticamente — e apenas às 12h26 ela foi encontrada, já em estado grave.

Após o resgate, Furrer foi levada de helicóptero ao Hospital Universitário de Zurique, mas não resistiu a um traumatismo craniano. Apesar do tempo prolongado até o socorro, o Ministério Público afirmou que não houve falhas legais no atendimento. Ainda assim, o caso reacendeu o debate sobre protocolos de segurança no ciclismo, especialmente pela ausência de rastreamento em tempo real — tecnologia já comum em provas como o Tour de France.

No Mundial de Zurique, nem sistemas de GPS nem comunicação por rádio eram permitidos — o que dificultou a localização da atleta após o acidente. A lacuna tecnológica foi apontada como fator determinante para o atraso no resgate, embora não tenha sido considerada negligência formal.

A repercussão levou a União Ciclística Internacional (UCI) a anunciar mudanças: a partir de 2025, os atletas passarão a competir com rastreadores GPS, permitindo monitoramento contínuo durante as provas. Para o sindicato dos ciclistas (CPA), a medida chega tarde. “É uma solução simples, que deveria ter sido implementada há anos”, afirmou o presidente da entidade, Adam Hansen.