CIA planeja armar forças curdas a fim de provocar uma revolta popular no Irã, com ações terrestres nos próximos dias, diz CNN
A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) está planejando armar as forças curdas — aliado histórico de Washington desde a guerra no Iraque, em 2003 — com o objetivo de fomentar uma revolta popular no Irã, revelou a rede americana CNN, que citou fontes familiarizadas com o assunto, nesta quarta-feira. As facções da oposição iraniana, de acordo com uma autoridade curda, devem participar de uma operação terrestre no oeste do país nos próximos dias.
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Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, conversou com o líder do Partido Democrático do Curdistão Iraniano (KDPI), Mustafa Hijri, ainda segundo a CNN. O KDPI, inclusive, foi um dos grupos visados pela Guarda Revolucionária Islâmica, o Exército ideológico do Irã, que tem atacado grupos curdos e afirmou que utilizou dezenas de drones para atingir as forças curdas durante a guerra.
De acordo com o site americano de notícias Axios, no último domingo, o presidente americano também telefonou para líderes curdos iraquianos para discutir a operação militar dos EUA no Irã e como os curdos poderiam trabalhar juntos com Washington à medida que a missão avança. A CIA, que mantém aum posto no Curdistão iraquiano, localizado perto da fronteira com o Irã, tem um longo e complexo histórico com forças curdas iraquianas, que remonta a décadas, como parte da guerra dos EUA no Iraque.
O governo Trump, de acordo com as fontes ouvidas pela CNN, tem mantido conversas ativas com grupos da oposição iraniana e líderes curdos no Iraque sobre o fornecimento de apoio militar a eles. As forças curdas iranianas contam com milhares de soldados operando ao longo da fronteira entre o Iraque e o Irã, principalmente na região do Curdistão iraquiano. Vários desses grupos divulgaram declarações públicas desde o início da guerra, insinuando ações iminentes e incitando as forças militares iranianas a desertarem.
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Qualquer tentativa de armar grupos curdos iranianos precisaria do apoio dos curdos iraquianos, além dos EUA e de Israel, para permitir o trânsito dos equipamentos militares. Soma-se a isso a necessidade das facções iranianas de usar o Curdistão iraquiano como base de lançamento.
De acordo com a CNN, a ideia seria que as forças armadas curdas enfrentassem as forças de segurança iranianas e as imobilizassem, facilitando a saída de cidadãos das principais cidades sem serem massacrados novamente, como aconteceu durante os intensos protestos antigovernamentais de janeiro. Além disso, os curdos poderiam contribuir para semear o caos na região e sobrecarregar os recursos militares do regime iraniano. Outras ideias ainda giram em torno da possibilidade de os curdos tomarem e manterem território no norte do Irã, criando uma zona tampão para Israel.
Nos últimos dias, as Forças Armadas israelenses têm atacado postos militares e policiais iranianos ao longo de sua fronteira com o Iraque, em parte para preparar o terreno para um possível fluxo de forças curdas armadas para o noroeste do Irã.
Ainda assim, de acordo com fontes ouvidas pela CNN, qualquer apoio dos EUA e de Israel a uma força terrestre curda encarregada de ajudar a derrubar o regime iraniano precisaria ser substancial. Avaliações da inteligência americana têm indicado que os curdos iranianos não têm atualmente a influência ou os recursos para sustentar uma revolta bem-sucedida contra o regime iraniano. E os partidos curdos iranianos estão buscando garantias políticas do governo Trump antes de se comprometerem a participar de qualquer esforço de resistência.
EUA e forças curdas
O povo curdo é um grupo étnico minoritário sem um Estado oficial. Estima-se que existam entre 25 e 30 milhões de curdos, a maioria vivendo em uma região que se estende por partes da Turquia, Iraque, Irã, Síria e Armênia. A maioria dos curdos é muçulmana sunita, mas a população curda possui diversas tradições culturais, sociais, religiosas e políticas, além de uma variedade de dialetos.
Por outro lado, diversos funcionários do governo Trump alertaram, segundo a CNN, sobre a desilusão que as forças curdas sentiram ao trabalhar com os EUA no passado, e sobre suas frequentes queixas de se sentirem abandonadas pelos americanos.
Os EUA também possuem um consulado em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, e tropas americanas e da coalizão estão baseadas lá como parte da campanha contra o Estado Islâmico.
Alguns curdos esperavam que, em troca da cooperação com as forças americanas, a região semiautônoma do Curdistão iraquiano conquistasse sua independência, embora isso nunca tenha se concretizado. Nos últimos anos, os EUA também se apoiaram fortemente nas forças curdas como parte de sua campanha para combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.
No entanto, no início deste ano, o novo governo sírio, alinhado aos EUA, lançou uma rápida campanha militar para assumir o controle do norte do país, que incluiu ataques contra o Estado Islâmico e a expulsão das Forças Democráticas Sírias, controladas pelos curdos. Diante dessa campanha, as forças curdas evacuaram o país e deixaram de guardar as prisões do Estado Islâmico quando as forças americanas se retiraram. Em janeiro, o enviado especial dos EUA para a Síria, Tom Barrack, afirmou que o propósito da aliança dos EUA com as FDS havia "praticamente expirado".
