Chuvas em MG: 'Vivemos extremos climáticos, e as pessoas precisam levar a sério os alertas', diz chefe da Defesa Civil
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Paulo Rezende, alertou nesta sexta-feira para o risco de chuvas fortes na Zona da Mata mineira até o fim da semana. O número de mortos na tragédia provocada pelos temporais na região subiu para 68, segundo atualização divulgada nesta sexta-feira (26) pela Polícia Civil de Minas Gerais. Em entrevista coletiva, Rezende pediu a colaboração da população, sobretudo aquela que mora em áreas de risco.
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— A gente vive um momento de extremos climáticos. A gente consegue emitir o alerta a tempo, mas a gente precisa que as pessoas levem a sério os alertas, saiam das áreas de risco e não retornem. A gente consegue emitir os alertas, mas há imprevisibilidade sobre a forma como ela [a chuva] vai cair em determinado local. Mas a gente sabe que terá volume importante de chuvas até o fim da semana, e a gente precisa que a população adote comportamento de autoproteção — afirmou Rezende.
O coronel pediu que os moradores se cadastrem no sistema de alerta da Defesa Civil e acione o recurso que faz o celular travar em caso de aviso de grau severo ou extremo. Ele afirmou aos jornalistas que as equipes atuam com senso de urgência, com maquinário especializado, mas ponderou que o momento é de paciência.
— Mesmo com esse trabalho de restabelecimento da normalidade, o mais importante é preservar vidas. É momento de ter paciência porque a chuva continua e trava a gente em algumas coisas, mas quero garantir a todos o máximo senso de urgência. Estamos atendendo a todos os municípios e mobilizando esforços, às vezes demora um pouco. Nosso primeiro esforço é o emergencial — disse ele, ao citar a distribuição de kits de higiene, de limpeza e de dormitório, entre outros produtos.
Já o coronel Joselito Oliveira de Paula, do Corpo de Bombeiros, afirmou aos jornalistas que as equipes da corporação resgataram, até o início da tarde desta sexta, 58 corpos em Juiz de Fora e outros seis em Ubá, totalizando 64. Outras pessoas chegaram a ser levadas vivas por outros meios ao hospital e não resistiram, por isso não aparecem no balanço da corporação.
Continuam desaparecidas três pessoas em Juiz de Fora e outras duas em Ubá. Os bombeiros contam com a ajuda de cães, drones e aeronaves no trabalho de buscas, segundo o coronel Joselito.
— Em Ubá as buscas seguem continuamente, tem vários militares percorrendo o rio atrás dos dois corpos pendentes. Há drones, aeronaves, mas embarcação ainda não, por questão de segurança. Mas há bombeiros caminhando pelo leito em busca visual, e cães foram acionados. É difícil falar em expectativa [de quando acabará a operação]. Nossa técnica é bater todo o terreno. Enquanto não vasculharmos toda a área, não vai ser encerrada a operação — ressaltou ele aos jornalistas.
O coronel Joselito também destacou os riscos para civis que tentam ajudar em resgates e buscas.
— É um trabalho de risco, é preciso haver profissionais preparados para entrar na chamada zona quente. Envolve técnica e muito risco. Tem todo um treinamento especializado. Dependendo do risco, não é todo bombeiro militar que entra. Se tem até bombeiro especializado para isso, que dirá um civil com boa vontade. Toda ajuda é bem-vinda, mas é preciso consultar os órgãos para saber como ajudar — destacou.
A Polícia Civil de Minas Gerais reforçou o efetivo de peritos na região e instalou numa delegacia um ponto de coleta de DNA de parentes de desaparecidos, com o objetivo de agilizar futuras identificações.
Segundo a PCMG, são 62 óbitos confirmados em Juiz de Fora e seis em Ubá. Desde o início da operação, os bombeiros atenderam mais de 80 chamados relacionados a soterramentos e seguem na busca por desaparecidos.
A polícia mineira disse que o nome das vítimas não será divulgado, em respeito aos parentes. Todas as vítimas, de idades entre 2 e 79 anos, morreram em decorrência de deslizamentos, segundo a corporação. De 61 corpos identificados em Juiz de Fora, 56 já foram liberados para as famílias. Em Ubá, todos já foram liberados.
Em Juiz de Fora, os bombeiros estão mobilizados em três frentes de trabalho: no bairro Paineiras, no bairro JK (Comunidade Parque Burnier) e no bairro Linhares.
Pelo menos oito bairros de Juiz de Fora tiveram orientação de evacuação. No Três Moinhos, onde dezenas de casas foram abaixo — deixando entre os mortos uma criança de 5 anos — e sete ruas foram desocupadas, moradores se juntaram e ajudavam uns aos outros em uma força-tarefa para esvaziar as residências restantes. O resgate de animais, abandonados ou cujos donos não tinham condições de mantê-los nesse momento, era outro foco do trabalho coletivo.
Apesar do avanço no restabelecimento de serviços essenciais, o risco permanece elevado. Estudos federais classificam Juiz de Fora com grau alto para deslizamentos, e as autoridades reforçam que qualquer novo volume de chuva pode provocar novos desmoronamentos em encostas já encharcadas.
