Chuvas em MG: com 47 mortos e 20 desaparecidos, Defesa Civil faz apelo para que moradores não retornem a áreas de risco
A tragédia provocada pelas chuvas na Zona da Mata mineira já deixou 47 mortos — 41 em Juiz de Fora e 6 em Ubá — além de 20 pessoas desaparecidas, segundo balanço apresentado nesta quarta-feira (25) pelo coordenador estadual da Defesa Civil, Coronel Rezende. Em coletiva, ele fez um apelo para que moradores não retornem a áreas interditadas por risco de deslizamento.
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— Ainda há previsão de mais chuva. Quem está em área de risco, e sabe que está em área de risco, deve sair imediatamente. Temos relatos de pessoas que já haviam deixado esses locais e estão retornando. Não façam isso. Priorizem suas vidas — afirmou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, que atua há quase 50 horas ininterruptas na região, 18 pessoas seguem desaparecidas em Juiz de Fora e duas em Ubá. Mais de 200 vítimas foram resgatadas com vida desde o início da operação. Só em um dos pontos mais atingidos em Juiz de Fora, foram recuperados 10 corpos e nove pessoas foram salvas; outras 11 continuam não localizadas.
Mobilização estadual
Rezende afirmou que o governo montou uma “grande operação”, com mobilização de todas as frentes do estado. Equipes de resposta foram deslocadas, assim como material de ajuda humanitária, e foi instalado um posto de comando integrado reunindo Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública vai empregar, a partir desta quinta-feira, policiais penais na fiscalização de presos que atuarão na limpeza das vias, começando por Ubá. A Secretaria de Saúde ampliou a capacidade do hospital regional, enviou medicamentos e reforçou as equipes médicas. Também foram mobilizadas equipes de assistência social, com psicólogos e assistentes sociais, além de maquinário pesado da Secretaria de Infraestrutura para desobstrução das áreas atingidas.
— Nossa principal preocupação é tratar de maneira humanizada as famílias e devolver o mais rápido possível uma ideia de normalidade aos municípios atingidos — disse o coronel.
Desabrigados e serviços
Segundo os dados apresentados pela Defesa Civil estadual, Juiz de Fora tem 402 desabrigados e 197 desalojados. Em Ubá, são 38 desabrigados e 321 desalojados. A prefeitura de Juiz de Fora, porém, trabalha com números mais elevados e fala em mais de 3.500 pessoas entre desabrigadas e desalojadas.
Rezende afirmou que há material de ajuda humanitária suficiente para atender os afetados e agradeceu doações feitas pela iniciativa privada e pelo terceiro setor.
— Trouxemos equipes de resposta, grande volume de material de ajuda humanitária para toda a região e instalamos um posto de comando integrado, reunindo todas as forças envolvidas — ressaltou.
Os serviços essenciais começam a ser restabelecidos. Em Ubá, 90% do fornecimento de energia elétrica e água tratada já foi normalizado, segundo o estado. Em Juiz de Fora, o avanço também é considerado significativo.
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Perímetros isolados e risco alto
O comandante da 4ª Região da Polícia Militar, coronel Lúcio, afirmou que a corporação mantém o isolamento dos locais com deslizamentos e reforçou que curiosos não devem ultrapassar os perímetros de segurança.
— As pessoas precisam confiar no trabalho das forças de segurança. Os perímetros são estabelecidos para garantir a segurança da população — disse.
A preocupação com novos deslizamentos é respaldada por estudos. Plataforma do governo federal, o AdaptaBrasil classifica Juiz de Fora com risco alto para deslizamentos, atribuindo nota 0,70 (em escala de 0 a 1). Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais apontam que o município está entre os dez do país com maior população vivendo em áreas de risco.
A previsão é de chuva ao longo da semana, ainda que com volume moderado. Para a Defesa Civil, porém, qualquer precipitação pode agravar a situação em encostas já encharcadas.
— O risco ainda existe. Por isso, reforçamos: não retornem às áreas interditadas — reiterou Rezende.
