Chuva deixa morto e feridos no Estado do Rio; capital teve o fevereiro mais chuvoso já registrado

 

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As chuvas dos últimos dias, com índices bem acima do esperado, provocaram transtornos em diversas regiões do estado. Os casos mais graves aconteceram em Angra dos Reis, onde um homem de 55 anos morreu, e em Cabo Frio, onde duas pessoas ficaram feridas em desabamentos. Na capital, não houve nenhum incidente grave, mas o mês de fevereiro entrou para a história como o mais chuvoso já registrado. Segundo o Sistema Alerta Rio, órgão de meteorologia da prefeitura, a cidade acumulou 350 milímetros de chuva até a manhã de ontem, o que representa quase o triplo da média histórica para o período (118,3 mm), considerando a série entre 1997 e 2025. A previsão é de redução dos acumulados nos próximos dias, e não há expectativa de chuva forte. Entretanto, como o solo permanece encharcado em diversas regiões, o risco é de deslizamentos de terra.

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— A tendência de enfraquecimento (dos níveis de chuva) começa no fim de semana, mas o problema é que já choveu muito. O solo está bastante encharcado, e qualquer nova chuva acaba se somando ao que já caiu — analisa o meteorologista Cesar Soares, do Climatempo, acrescentando que a mudança no tempo está associada à atuação de um sistema de alta pressão sobre o oceano.

Apesar da previsão de melhora, o volume de chuva que já caiu em fevereiro supera todos os registros anteriores e contrasta com o cenário de 2025, quando o mesmo período teve o fevereiro mais seco da série histórica, com apenas 0,6 mm de chuva. De acordo com a meteorologista Mayara Villela, do Alerta Rio, a diferença se deve à atuação mais frequente de sistemas que favorecem temporais.

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— Neste ano, recebemos alguns fenômenos que deixaram o tempo mais instável e, consequentemente, contribuíram para o aumento da chuva, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zcas), cavados, áreas de instabilidade termodinâmica e sistemas de baixa pressão — explicou.

Os pluviômetros registraram chuva em 21 dos 27 dias de fevereiro, e todas as 33 estações da rede ultrapassaram a média climatológica. Os maiores acumulados foram observados nas zonas Norte e Oeste. No Alto da Boa Vista, por exemplo, o índice chegou a 400 mm, bem acima dos 163,1 mm esperados para o mês. O volume elevado fez o município mudar de estágio operacional seis vezes. No último dia 20, a cidade entrou no Estágio 2, condição mantida até ontem.

Vários municípios fluminenses sofreram os impactos do temporal, mas a Costa Verde e a Região dos Lagos foram as mais afetadas.

Costa Verde

Em Angra dos Reis, foram mais de 200 milímetros em apenas seis horas, segundo a Defesa Civil municipal. As 20 sirenes de alerta foram acionadas. Um homem morreu no bairro Parque Belém. Outros deslizamentos atingiram imóveis na região central, e ao menos 200 pessoas ficaram desalojadas.

Funcionários da prefeitura de Angra dos Reis trabalhando na limpeza de ruas após quedas de árvore e deslizamentos

Reprodução / Instagram / Prefeitura Angra

Já em Paraty, no Sul Fluminense, o acumulado atingiu 228,39 milímetros em 24 horas. Houve quedas de árvores, quatro deslizamentos de barreiras, interrupção de energia, danos à rede de água e queda de pontes. Pontos de apoio foram abertos, como a Escola Municipal Pequena Calixto, que acolheu 51 pessoas. Até às 19h de ontem, a prefeitura seguia levantando o número total de desalojados e desabrigados.

Paraty também teve o estado de calamidade pública reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (Midr), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), no fim desta sexta-feira. O reconhecimento será publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira.

Segundo o Governo Federal, estado de calamidade pública é quando uma região se encontra em situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o comprometimento substancial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido.

Região dos Lagos

No município de Cabo Frio, o acumulado chegou a 83,2 milímetros no primeiro distrito e 68,7 no segundo. No Centro, o telhado de um restaurante desabou, deixando dois feridos. O imóvel foi interditado. Um carro caiu numa cratera no bairro Jardim Esperança, houve quedas de árvores e 11 pessoas ficaram desalojadas. Atendimentos de saúde e aulas da rede pública foram suspensos. Os locais mais afetados foram Unamar, Maria Joaquina, Jardim Esperança, Tangará, Jacaré e Parque Burle.

A cerca de 50 km, em Rio das Ostras, o temporal provocou alagamentos e levou à suspensão das aulas. A mesma medida foi adotada em Arraial do Cabo e Macaé. Nesta última, bairros como Cabiúnas e Cidade Universitária registraram altos volumes de chuva, com ocorrências de alagamentos e deslizamentos.

Em Macaé, nas últimas 24 horas, os maiores volumes de chuva foram registrados em Cabiúnas (180,5 mm), Cidade Universitária (142,4 mm), Horto (130,8 mm) e Severina (126,6 mm). A Defesa Civil contabilizou diversas ocorrências: a remoção de alunos de uma escola no Novo Horizonte, alagamentos em bairros como Aroeira, Nova Malvinas e Córrego do Ouro, quedas de árvores, infiltrações, deslizamentos de terra em Bicuda Pequena e Trapóleo, além de risco de deslizamento em áreas como Bela Vista e Córrego do Ouro. Os desfiles de carnaval que ocorreriam até domingo na cidade foram suspensos, e ainda não há nova previsão para o evento.

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O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado para mais de 100 ocorrências relacionadas às chuvas desde quinta-feira. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais do Rio (Cemanden-RJ) enviou 34 alertas severos para risco de inundação e deslizamentos em municípios da Costa Verde e Região dos Lagos.

— Estamos nesses municípios com risco muito alto na questão hidrológica e nos riscos de deslizamentos. Por isso, pedimos que todos respeitem os alertas enviados para evitar novas vítimas e novos problemas, além de reduzir danos à população — afirmou o tenente-coronel Alexander Anthony Barrera, diretor do órgão.

A Marinha do Brasil também alertou para a possível formação de um ciclone subtropical em alto-mar, a cerca de 600 quilômetros a sudeste de Arraial do Cabo, sem previsão de impactos diretos na costa. O mau tempo, como pancadas de chuva, rajadas de vento e agitação marítima, será restrito ao alto-mar, informa o comunicado. A previsão indica ventos sustentados de até 60km/h, com rajadas que podem chegar a 75km/h, principalmente nos setores nordeste e leste do sistema, até a noite de hoje.

De acordo com o Governo do Estado, por volta das 19h, ao menos 22 municípios estavam classificados com risco hidrológico alto ou muito alto. Isto é, alta possibilidade de enxurradas e de inundações.

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