Churchill será removido das notas de libra e pode ser substituído por ouriços e texugos

 

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Figuras históricas como o ex-primeiro-ministro conservador Winston Churchill, a escritora Jane Austen, o pintor J. M. W. Turner e o decifrador de códigos da Segunda Guerra Mundial Alan Turing — que atualmente estampam as notas de libra cujo anverso apresenta Charles III— serão substituídos por animais selvagens nativos do Reino Unido, como o ouriço e o texugo, na próxima geração de cédulas, segundo o Banco da Inglaterra (BOE).

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Há mais de 50 anos, o Banco da Inglaterra utiliza figuras históricas em suas notas. No entanto, em julho do ano passado a instituição realizou uma consulta pública para saber qual tema os britânicos gostariam de ver na próxima série de cédulas. A opção “natureza” recebeu cerca de 60% dos votos entre as 44 mil respostas registradas.

Outros temas também foram apresentados na consulta. “Arquitetura e Monumentos” ficou em segundo lugar, com 56% de preferência. Em seguida vieram “Figuras Históricas Notáveis”, com 38%; “Artes, Cultura e Esporte”, com 30%; “Inovação”, com 23%; e “Marcos Notáveis”, com 19%.

O BOE disse que estava procurando imagens que simbolizassem o Reino Unido, que tivessem ressonância com o público e que não fossem divisivas ou que excluíssem qualquer grupo.

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A remoção de ícones nacionais das cédulas pode gerar controvérsia em um momento em que o governo trabalhista se envolveu em um patriotismo ansioso. O Reino Unido está novamente envolvido em guerras no exterior, enquanto em casa o cenário político se fragmentou sob o domínio nas pesquisas do partido de direita Reform UK.

A reviravolta no sistema bipartidário levou partidos a disputarem os símbolos da nação, entre os quais Churchill está entre os mais poderosos, particularmente para os conservadores. Em 2020, um acerto de contas com o passado imperial do país levou manifestantes a derrubarem estátuas de proprietários de escravos, enquanto a própria estátua de Churchill foi protegida com tábuas durante protestos antirracistas que varreram grandes cidades ao mesmo tempo em que o movimento Black Lives Matter agitava os Estados Unidos.

Estátua de Churchill no Reino Unido

Luke MacGregor/Bloomberg

Um membro conservador do parlamento chamou os planos de considerar alternativas às figuras históricas de “wokismo”, termo usado para criticar militantes de causas progressistas, quando a consulta do BOE foi lançada pela primeira vez. Enquanto compete para defender essa vertente de populismo, Nigel Farage, líder do Reform UK, tem sido direto em suas críticas ao banco em questões que vão da regulamentação de criptomoedas ao afrouxamento quantitativo.

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“Isso diz tudo que Rachel Reeves está substituindo Winston Churchill em nossas cédulas por um esquilo”, escreveu o porta-voz econômico do Reform, Robert Jenrick, em uma publicação nas redes sociais, embora a chanceler do Tesouro não esteja envolvida na decisão e o Banco da Inglaterra não tenha dito que Churchill será substituído por um esquilo.

Escolher um rosto para adornar as notas britânicas de £5, £10, £20 e £50 não tem sido livre de controvérsia nas últimas décadas. Até mesmo Churchill, que os britânicos frequentemente classificam como seu primeiro-ministro favorito em pesquisas, gerou críticas por substituir a única mulher presente no dinheiro na época, quando tomou o lugar da reformadora social Elizabeth Fry na nota de cinco libras há uma década.

O Banco da Inglaterra informou que realizará uma segunda consulta pública neste ano para coletar a opinião do público sobre a fauna específica que gostariam de ver estampada na próxima série de notas. As novas notas também poderão incorporar outros elementos da natureza, como plantas e paisagens, para complementar o design.

Segundo a instituição, o painel de especialistas em vida selvagem de todo o Reino Unido ajudará a criar uma lista de animais para o público escolher. Essa lista será divulgada durante a consulta pública de verão, quando o Banco da Inglaterra voltará a buscar a opinião do público.

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— A natureza é uma ótima escolha do ponto de vista da autenticação de cédulas e significa que podemos mostrar a rica e variada vida selvagem do Reino Unido na próxima série— disse Victoria Cleland, a caixa-chefe do banco central. Ela afirmou na quarta-feira que pode haver espaço para incorporar novos recursos que transmitam movimento.

— Poderíamos, por exemplo, ter um pássaro batendo as asas. Poderíamos ter um cervo correndo— disse ela à BBC Radio 5 Live.

A mudança marca o próximo passo na evolução das cédulas britânicas, que foram transformadas nos últimos anos tanto por razões de gosto quanto de segurança.

Em 2016, o Banco da Inglaterra começou a substituir as cédulas de papel por versões de polímero, muito mais difíceis de falsificar. As notas de papel de £20 e £50 deixaram de ter curso legal em 2022, enquanto as versões de £5 e £10 já haviam sido retiradas em 2017 e 2018, respectivamente.

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Embora as notas em circulação ainda estejam crescendo gradualmente, o uso de dinheiro em transações caiu rapidamente na última década. A UK Finance estima que o dinheiro representava 48% de todos os pagamentos em 2014, mas essa participação despencou para apenas 9% em 2024. Ele foi amplamente substituído por pagamentos com cartão e dispositivos móveis.

O dinheiro do Reino Unido já apresentou William Shakespeare, Charles Darwin e Adam Smith desde que imagens de figuras históricas foram introduzidas em 1970, um ano antes da decimalização. Antes de 1920, as notas geralmente eram impressas em apenas um lado.

Ao anunciar a introdução de Churchill no conjunto de retratos de cédulas em 2013, o então governador do Banco da Inglaterra, Mervyn King, disse:

— Parece totalmente apropriado colocar Sir Winston na que provavelmente é nossa nota mais popular— acrescentando que a nota de cinco libras poderia em breve passar a ser conhecida como “Winston”. No entanto, isso nunca aconteceu.