Christina Oiticica apresenta obra que ficou meses submersa e fala sobre o marido, Paulo Coelho: 'A gente se ama muito'

Christina Oiticica apresenta obra que ficou meses submersa e fala sobre o marido, Paulo Coelho: 'A gente se ama muito' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Quando Christina Oiticica chegou para conversar com a ELA, na suíte do Grand Hotel Majestic, em Verbania (Itália), às margens do Lago Maggiore, chamava a atenção as manchas de cola sobre a sua blusa preta. Ela tinha acabado de finalizar “Mamã Muxima”, obra que naquela manhã havia sido retirada das águas do lago após ter ficado submersa por três meses, exposta à ação da natureza. Antes de começar a entrevista, pediu um tempo para atender o telefonema do marido, o escritor Paulo Coelho, que havia ficado em Genebra, na Suíça, onde os dois residem oficialmente desde 2008. Ao falar desse amor, que já dura 45 anos, os olhos de Christina se enchem d’água: “A gente se ama muito. Cheguei ontem aqui e já quero voltar, com saudades”. Aos 74 anos, ela está num momento de grande produção. A mostra “Quando o céu invade a terra”, em cartaz até o dia 27 no Grand Hotel Majestic, reúne esculturas, ilustrações e outras criações. Para a curadora Adelina von Fürstenberg, “Mamã Muxima” é a masterpiece do seu percurso. “ É uma obra-prima”, resume. “Sobre a artista, me impressionam a sua calma e a sua espiritualidade”. Corações de papel machê substituíram a imagem central da tela, que sumiu no lago Marcos Borges Calma que guiou Christina ao ver a obra sair do lago sem o centro da imagem: a Nossa Senhora que dá nome ao trabalho. “Ela foi espalhar energia em outros lugares”, diz. A vocação veio cedo: “Nasci já sendo artista. Desde criança, ganhava muito lápis de cor, guache, também ia bastante ao Museu Nacional de Belas Artes com a minha mãe. Adorava ver os quadros e sonhava em estudar ali. E acabou acontecendo...”. É essa vocação que Paulo destaca ao falar da sua trajetória. “É um talento nato.” Ao longo da vida, Christina nunca se incomodou por ser apresentada como a mulher de Paulo Coelho ou parente de Hélio Oiticica (1937-1980), primo do seu pai. “Fico orgulhosa de ter um marido que é conhecido no mundo inteiro”. Paulo destaca a capacidade da companheira de construir uma identidade própria: “Superou os preconceitos de ser casada com uma pessoa famosa”. A história de como os dois acabaram juntos guarda um pouco da crença de Christina na força dos desejos: “Quando o vi ajoelhado rezando, pedi aos céus um homem igual a ele. Só não esperava que o universo me traria o próprio Paulo…”, diverte-se. O casamento aconteceu por uma necessidade burocrática, em 2013. “Temos uma tatuagem de borboleta que consideramos a nossa aliança”. O casal não teve filhos: “Não fez falta”. Já a atuação social cupa espaço importante. Ela cita instituições apoiadas por eles: “Hospital da Irmã Dulce, os Médicos Sem Fronteiras na África e o Solar Meninos de Luz, no Pavão-Pavãozinho, entre outras. Vamos revezando, mas alguns contribuímos de forma permanente”.

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