Kylian Mbappé enfrenta uma crise comercial na China depois de comentar, em tom de brincadeira, um meme que o retrata como Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China. A repercussão levou empresas chinesas a romperem contratos de patrocínio com o atacante do Real Madrid e provocou a suspensão das transmissões de partidas do Campeonato Espanhol pela emissora estatal chinesa.
Mesmo após o pedido de desculpas do jogador, autoridades de comunicação do país passaram a cobrar uma manifestação considerada satisfatória do clube espanhol. Saiba mais sobre o caso: Liga espanhola pede desculpas à China por vídeo de Mbappé com referência a Mao Tsé-tung e diz que comentários do jogador 'são de caráter pessoal'
Leia também: Empresas chinesas rompem com Mbappé após jogador citar 'ditador' Mao Tsé-Tung A controvérsia começou após a participação de Mbappé no programa francês The Bridge.
Ao falar sobre imagens que circulam nas redes sociais, o jogador afirmou que uma das montagens de que mais havia rido era aquela em que seu rosto aparecia sobreposto ao de um ditador chinês. O comentário foi associado a Mao Tsé-Tung, que liderou a revolução comunista e esteve à frente da China até sua morte, em 1976.
A declaração provocou uma reação de órgãos de comunicação estatais. O China Media Group (CMG), responsável pela emissora CCTV, anunciou a suspensão, em 26 de outubro, das transmissões de partidas da LaLiga, dos jogos associados a Mbappé e das respectivas inserções publicitárias.
A entidade também rejeitou a explicação apresentada pelo Real Madrid, segundo a qual o francês não teria tido intenção de ofender os chineses e estaria exercendo sua liberdade de expressão. Em comunicado, o órgão afirmou que declarações que firam os sentimentos da população chinesa provocariam rejeição de diferentes setores da sociedade.
A emissora condicionou a retomada do diálogo a um pedido de desculpas considerado satisfatório por parte do clube. Um representante do CMG também afirmou que as manifestações públicas seriam avaliadas em conjunto com as ações posteriores dos envolvidos.
Mbappé publicou um pedido de desculpas em chinês, francês e inglês na rede social X. O atacante reconheceu que sua resposta foi desconsiderada e que seus comentários magoaram pessoas na China e integrantes de comunidades chinesas em outras partes do mundo.
Ele declarou ter profundo respeito pelo povo chinês e por sua história. A manifestação, porém, não encerrou a crise.
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, também procurou conter os danos e se reuniu com o embaixador chinês na Espanha, além de enviar uma carta à CCTV com um pedido público de desculpas. Até o momento descrito nos relatos sobre o caso, não havia confirmação de que as medidas comerciais e de transmissão seriam revertidas.
No setor privado, as empresas chinesas Dongpeng, Mengniu e Milkground romperam vínculos comerciais com o jogador, segundo as informações divulgadas pela imprensa esportiva. O episódio também foi acompanhado por restrições à circulação de conteúdos relacionados ao atacante em plataformas digitais chinesas.
Os valores dos contratos encerrados e o impacto financeiro total da crise não foram detalhados nas informações disponíveis. A reação ganhou força na imprensa estatal.
O Global Times, publicação ligada ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial que tratou o episódio como um alerta para personalidades estrangeiras que buscam explorar comercialmente o mercado do país. O texto argumentou que a popularidade e o talento esportivo não garantem a manutenção de relações comerciais quando há desgaste com o público local.
Em outra manifestação, o Diário do Povo classificou Mbappé como um possível “fardo” para as marcas chinesas. O jornal sustentou que empresas não podem usufruir dos benefícios econômicos do mercado local enquanto, na avaliação da publicação, desrespeitam a história, a cultura e os sentimentos nacionais valorizados no país.
O Ministério das Relações Exteriores da China reconheceu a manifestação de arrependimento do jogador, mas não esclareceu se o pedido de desculpas levaria à suspensão das medidas. Questionado sobre o assunto, o porta-voz Guo Jiakun afirmou que Pequim atribuía importância à retratação, sem anunciar mudanças na posição adotada pelas instituições chinesas.
O Globo