China, Rússia e França se opõe ao uso de força para reabrir Ormuz e geram dúvida sobre aprovação de texto na ONU
A votação de uma resolução do Bahrein, no Conselho de Segurança da ONU, para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, e que estava agendada para esta sexta-feira (3), foi remarcada. No entanto, China, Rússia e França — que têm poder de veto — se opõem à autorização de qualquer uso da força, o que coloca em dúvida a aprovação do texto.
Segundo o jornal The New York Times, os três países frustraram os esforços dos Estados árabes para obter aval do Conselho para uma ação militar contra o Irã, rejeitando qualquer linguagem que permita o uso da força para reabrir a rota marítima.
Dois diplomatas afirmaram à publicação americana que a reunião dos 15 membros e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado, em vez de sexta-feira, que é feriado na ONU.
Autoridades do Irã anunciaram que o país está trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz em conjunto com Omã.
De acordo com o vice-ministro de Relações Exteriores iraniano, o gerenciamento da circulação de embarcações seria aplicado assim que a guerra terminasse.
A reabertura, no entanto, não valeria para navios ligados aos Estados Unidos e Israel. Segundo Teerã, a rota permanecerá fechada a longo prazo para os países.
O bloqueio do estreito — por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo — tem causado preocupação internacional. O governo britânico acusou o Irã de manter a economia mundial como 'refém’.
Diplomatas de mais de quarenta países participaram de uma reunião para discutir formas de reabrir a rota.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declaração na Casa Branca.
ALEX BRANDON / POOL / AFP
De acordo com a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, a coalizão quer a reabertura imediata e incondicional. Segundo ela, os países concordaram em explorar medidas econômicas e políticas como sanções contra Teerã pelo que chamou de 'imprudência'.
Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual.
A ausência ocorreu após o presidente Donald Trump ter dito que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. Ele também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a fazer ameaças dizendo que o país pode deixar a Otan.
Nesta quinta (2), a cotação do petróleo apresentou forte alta após Trump ter prometido manter os ataques contra o Irã. No pregão, o preço do petróleo tipo Brent chegou a subir mais de 7% e passou de 109 dólares.
O discurso de Trump na quarta-feira (1), na TV, frustrou parte dos aliados e os investidores porque o líder americano não anunciou o fim do conflito, como se esperava.
