China proíbe venda de drones em Pequim e passa a exigir autorização para qualquer voo na capital

 

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A China dará um passo inédito no controle de drones ao proibir a venda desses equipamentos em Pequim e exigir autorização prévia para qualquer voo na capital. As novas regras entram em vigor nesta sexta-feira e ampliam de forma significativa as restrições sobre posse, circulação e uso de aeronaves não tripuladas em uma cidade que já havia transformado todo seu espaço aéreo em zona de exclusão para drones no ano passado.

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Pelas novas normas, drones não poderão ser vendidos, alugados nem levados para Pequim. A proibição também alcança componentes essenciais desses aparelhos, ampliando o alcance da medida para além do equipamento completo. Proprietários serão obrigados a registrar seus drones junto à polícia, criando uma nova camada de controle sobre quem possui e opera esses dispositivos.

As exigências vão além. Para entrar ou sair de Pequim, drones precisarão de registro prévio. Se um morador enviar o aparelho para manutenção fora da capital, por exemplo, não poderá recebê-lo por entrega: terá de buscá-lo pessoalmente.

Também muda a regra para voar. Qualquer operação externa com drones em Pequim dependerá de aprovação prévia, e usuários precisarão concluir treinamento on-line e passar por um teste sobre as normas de operação.

As autoridades municipais aprovaram as restrições em março, sob a justificativa de reforçar a gestão diante de “desafios” ligados à segurança do espaço aéreo de baixa altitude. Segundo Xiong Jinghua, alta funcionária do Congresso Popular Municipal de Pequim, o objetivo é “encontrar o melhor equilíbrio” entre segurança e avanço tecnológico e econômico.

Setor bilionário sob controle mais rígido

A decisão chama atenção porque ocorre justamente quando drones e táxis voadores ocupam papel estratégico nos planos de crescimento da China. Integrado ao que o país chama de “economia de baixa altitude”, o setor é tratado como prioridade nacional e tem projeção de movimentar mais de 2 trilhões de yuans — cerca de US$ 290 bilhões — até 2035.

Hoje, drones já fazem parte do cotidiano em cidades chinesas, usados em entrega de comida, agricultura e limpeza de edifícios. Ao mesmo tempo, empresas chinesas, lideradas pela DJI — maior fabricante de drones do mundo — são vistas como candidatas a dominar o mercado global.

O movimento expõe um paradoxo: enquanto lidera a indústria global de drones, a China também se torna um dos ambientes mais restritivos do mundo para operar esses equipamentos.

Segundo dados oficiais, o país tem mais de 3 milhões de drones registrados, mercado que deve sentir impacto direto das novas regras. Em Pequim, lojas da DJI já começaram a retirar drones e produtos relacionados das prateleiras.

Ainda haverá exceções. A compra e o armazenamento desses equipamentos continuarão permitidos para finalidades específicas, como contraterrorismo e resposta a desastres — desde que haja aprovação das autoridades.