China diz que Oriente Médio vive 'encruzilhada crítica' entre guerra e paz após Trump estender cessar-fogo com o Irã

 

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A China afirmou que o Oriente Médio atravessa uma “encruzilhada crítica, em uma transição da guerra para a paz”, em meio às tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, mesmo após a prorrogação de um cessar-fogo anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O cenário atual reúne ações militares, declarações políticas e impactos econômicos, e indica que a trégua ainda não se traduz em estabilidade duradoura na região.

Nesta quarta-feira, Trump afirmou que o país “está colapsando financeiramente” devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

“O Irã está colapsando financeiramente! Eles querem abrir imediatamente o estreito de Ormuz”, escreveu Trump na rede Truth Social, acrescentando que a república islâmica tem “fome de dinheiro”.

Violência persiste apesar de trégua

Apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, episódios de violência continuam sendo registrados. Um ataque israelense no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, deixou um morto e dois feridos, segundo meios estatais libaneses.

No mar, a tensão também se reflete em incidentes envolvendo a navegação. Uma lancha patrulha iraniana disparou contra um navio porta-contêineres ao largo de Omã, de acordo com a agência britânica UKMTO.

A empresa Vanguard Tech informou que o navio, de bandeira liberiana, havia sido autorizado a atravessar o estreito de Ormuz, enquanto a agência iraniana Tasnim afirmou que a embarcação “ignorou os avisos das forças armadas iranianas”.

Impactos no petróleo e articulação internacional

O Estreito de Ormuz segue como ponto central da crise. Trump defendeu o bloqueio da rota e afirmou que o Irã tenta reabrir a passagem. “Eles só dizem que querem fechá-lo porque eu o bloqueei (fechado!) completamente, então só querem ‘salvar a face’”, publicou. Segundo ele, a suspensão do bloqueio inviabilizaria qualquer acordo com Teerã.

A instabilidade já afeta o mercado. Por volta das 7h15 GMT (4h15 em Brasília), o barril de petróleo Brent recuava 0,8%, para 97,71 dólares, enquanto o West Texas Intermediate caía 1,1%, para 88,73 dólares.

Diante dos riscos à navegação, o Reino Unido anunciou que sediará reuniões com militares de cerca de 30 países para discutir a criação de uma missão conjunta com a França para proteger o tráfego no estreito, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

No campo diplomático, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, elogiou a decisão de Trump de estender o cessar-fogo e afirmou esperar avanços nas negociações.

“Espero que ambas as partes continuem respeitando o cessar-fogo e possam concluir um ‘Acordo de Paz’ abrangente em uma segunda rodada de diálogo”, disse.

Ainda assim, há sinais de dificuldade. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, não viajará ao Paquistão para conversas previstas com o Irã, e Teerã já indicou que não enviará uma delegação.

Trump afirmou que a trégua será mantida até que o Irã apresente uma proposta concreta e ordenou a continuidade do bloqueio naval aos portos iranianos.

A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atingir a produção de petróleo de países do Golfo caso suas estruturas sejam usadas contra o país, reforçando o clima de instabilidade mesmo com iniciativas diplomáticas em andamento.